terça-feira, 11 de setembro de 2007

Quero entrar.

E você que se envergonha
quando se olha no espelho
e lembra de tudo o que fez...

de que adianta,
se eu lembro, você lembra
a cidade toda lembra?

Das lamurias que enchiam a noite
das marcas em meu corpo,
em teu corpo
talhadas com destreza

E eu que me envergonho
quando me olho no espelho
e vejo que já passou mais uma semana...
ai, coragem, pra onde tu foi...?

pras lamurias que enchem meus lençóis
pras marcas de unha
no asfalto da calçada
de uma casa qualquer
que não lembro onde fica e não quero
procurar... nem perguntar ...

o que sente ela ao se olhar no espelho e ver
ond'eu morava...

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Perguntinha...

Por que todo "poeta" de blog tem um quê de atormentado do qual acha dificílimo se livrar?

Sem contar a sua admiração incrível pela metalinguagem.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O Demônio em branco

Ah...as reticências, que delicioso recurso literário! Nada me fascina mais do que reticências. Dizem tudo e, não dizendo nada, te forçcam a pensar. Que presente lindo você me deixou!
Enquanto isso, a arvore fugia com suas coxas grossas envoltas em gastas meias-calças.
Vi-a na viela. Vi-a na viela. Vi-a na viela. Vi-a na viela. Vi-a na viela. Vi-a na viela. Vi-a na viela.

E sempre achei que havia um demônio aprisionado nas folhas daquele caderno. Era velho, e já amarelara há tanto tempo que sua decrepidez parecia algo natural. Não havia linhas nem nomes, nada que o indentificasse como antiga posse de alguém, mas desde sempre estivera na estante. Sua capa dura de tecido desbotado lembrava o dorso de um magro cavalo pardo; você poderia sentir as costelas e, de quando em quando, a sua penosa respiração. Era, sem dúvidas, um ítem mágico, um tomo de feiticeiro, uma bíblia dos corcundas e putas. O único fato que me fazia descartar tais possibilidades era a já mencionada solidão das páginas que o formavam. Nem uma gota.
Até o dia no qual criei coragem; muni-me da pena e do nanquim, à fim de enfrentar o demônio das páginas em branco.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Musica inacabada

"E eu me fartei de procurar
as perguntas certas
pra respostas erradas."

(...)

"Nem tudo que acaba começa,
mas vou indo nessa
pior é não tentar."

(...)

Por que alguém vai pra cidade se de lá não dá pra contar estrelas?

domingo, 5 de agosto de 2007

Descoberta #4

Ciúmes. É , há dias em que ele ataca do nada, corroendo o espaço entre as orelhas e a nuca, queimando lentamente. Eu que nunca tive nada disso aprendi a tê-lo em três tipos, três vertentes, um amais estúpida que a outra. Preciso explicar quais são? Lógico, tem gente que tem preguiça de pensar, mesmo que, provavelmente, só existam esses três tipos mesmo, três vermes cavando meu peito, tentando envenenar a razão e o coração, quase conseguindo. Mas passando longe de meus testiculos, intactos, estão sempre na mesma, os mesmos impulsos, desejos, imposições, injeções de hormônio que pouco me animam (melhor que nada, não?), pouco me animam. O amarelo ciúme do que já tive não tive já tive mas não tive; o vermelho ciúme do que ainda teria; e o mais ridículo, o do que está por vir não vem quem sabe(?). Todos os iconoclastas que vieram antes de mim me ajudam a potencializar tais sentimentos, mas agora que penso no assunto, eles nem pediram licença pra entrar. Vai entender.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Descoberta #3

Por favor, olha, eu só quero o melhor pra voce. É tão difícil entender que tudo isso é só medo? Sim, medo, a gente também sente medo, pra caralho. Medo de que vocês acabem virando algo que nunca quiseram ser. Medo de ouvir que se arrependeram. A mediocridade não é algo que você nota, não, ser mediocre não dói nem fere ninguém. Só nós dois.
Mas o problema é que ninguém me perguntou se eu quero ou não ser medíocre, à meu modo. Quem não é medíocre? Seja você por ter sonhado baixo, ou eu por não ter sonho nenhum. Mas, não é por não tê-los que vou deixar você enfiar algum dos seus velhos, não realizados, goela abaixo, estuprando minha alma. Não, prefiro o silêncio. Talento, você diz? Que talento? Que vôos posso alçar, que ningué mais tenha alçado antes? Não importa mais, nem um pouco.
Minha boca se cala, anopsia verbal, dê meus olhos aos chacais, que diferença faz? Já sinto os dedos frios, elétricos, de minha querida, aquela que espero há um bom tempo, envolvendo meu pescoço, me tirando do fosso, mas não, não há, de novo, nenhum cantador. Só o som das vírgulas me enlouquecendo.

sábado, 21 de julho de 2007

Descoberta #2

Hoje infelizmente descobri, da maneira mais dolorosa para meu coração, minha alma, orgãos internos e afins, a dor do arrependimento. A saudade daquilo que não fiz.
Ai, prateada menina, por que me torturas se mostrando tão distante, se despindo tão próxima às minhas vistas, mas não ao alcance de minhas mãos?

Juro nunca mais te deixar escapar por entre os dentes!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Só porque Leo gostou...

E estou com preguiça de passar coisas pro PC.

"E você precisa de drogas para ficar dopado?

Quantos "dopados sociais" você conhece?

Gente que não pensa sozinha, gente que leva qualquer coisa mostrada nos jornais à serio. Gente que não tem fome do mundo, mas fome de si mesma, e não entende meus apelos.

Cada despertador deveria ser engatilhado para as quatro da manha, quando todas as neuras atacam aqueles que ainda tem medo de dormir, mas não conseguem mais vagar como corpos sem vida.
Sem vida, mas com uma alma, berrando, lá no fundo. Como queria deixar esse berro me escorregar garganta afora...da minha para a tua, como esperma, ou catarro, como se você o quisesse engolir.

Engula."

terça-feira, 17 de julho de 2007

E começa.

Isso. Começar algo
é tão mais difícil que demolir.

Então vou tentando, desde pequeno
me demolir por dentro,
na esperança de ver algo novo.

Demolir cada conto, cada poema,
demolir minha alegria,
tristeza
prazer.


Vou nos dedos de um violeiro,
já velho,
enrugado,
a voz lhe falha, e falha!
e falha.
Sua seresta, nostálgica,
quase sozinha
quase mecânica,
mas acha seu caminho
aos meus ouvidos

que já doem
da constante obra
em meu peito.
O bater do martelo

em meus tímpanos, AAH!!MELODIA!!
Mais uma vez digo que a dor é bela.

Fosse só musica tudo bem,
tudo bem,
mas o uísque também acha seu caminho

finalmente me demolindo

e vou pra cama.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

O mundo é luz

Não, não é isso que eu quero. Não quero mais as antigas gueixas, não quero minhas princesas em suas torres. As ignoro todas. Inclusive as de sal, que são as piores. O cheiro de sexo me enjoa, e a visão de uma prostituta me faz imaginar coisas completamente diferentes daquelas quais homens normais pensam quando as vêem. É sério. Quero minha tangerina debaixo da coberta, reclamando. Quero sentar num dia frio com uma xícara de algo horrível, mas que bebo para parecer legal na sua frente, entre nós. Quero rir de como você não faz nada direito, mas mesmo assim é a garota mais esperta que conheço.
Mas não. As faíscas que exalo de minhas narinas queimam toda e qualquer seda que seus bixinhos poderiam fazer à nossa volta. É minha maldição não te ter, só pelo fato de não querer abrir mão das regalias de ser um intolerante. Me disseram que o mundo é luz, o mundo é luz, mas já perdi minhas referencias há tanto tempo que não sei mais o que a luz é.
Imaginava ser o que tinha. Hoje vejo que vivi boa parte dessa vida em sombras, acreditando ver o sol. Como diz uma parte de um poema, meu, inacabado, ninguém me disse que além do bojador a dor também existe. Ninguém. E como existe, meu Deus!


***

Só uma curiosidade de ultima hora...
em russo se usa as mesmas palavras свет(мир) = свет (Mundo = Luz)

domingo, 1 de julho de 2007

Soneto #17

Meu coracao que mal bate
bate mal ou quase para
Nao quer mais viver em tal laura
Sem ter quem o maltrate

Já esqueceu cada face
toda paixao, toda tara
É agora uma idéia vaga
qual espero que logo passe.

Oh! Mas de quando em quando
Ainda o sinto
Me apertando o peito

Seu patético protesto
por estar sozinho
Mas nada pode ser feito...

Que tal músculo me mate
Já nao há quem me salve!

Nao aceito sua mao perfurada
Nem tu de volta, menina amada!

E por mais que o coracao reclame,

Dentro dele já nao haverá nem uma alma.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Descoberta #1

Eu sou terrívelmente masoquista. A dor me excita como nada.
E hoje, fatidicamente, descobri que nao presto pra muita coisa.
Tirando, óbviamente, ser vulgar. Mas por quanto tempo ainda vou conseguir chocar as pessoas falando sobre coisas normais?
Perfure meus mamilos.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Dois poemas ruins...

Porque vivo prometendo contos, mas agora nao tenho tempo pra nada. Eu sou um artista ocupado, sabiam? Dividir o tempo entre escrever poesias, contos, fazer sexo (quando voce deixa), pintar, comer algo e depois ir ao banheiro, nao é nada fácil...Entao deixo os contos pra depois.

Pra quando estiver com MUITA necessidade de ficar famoso. AHA, se pelo menos voce, VOCE acreditasse no que voce mesmo se diz a seu si próprio pra tu...

***

Visao

Eu vi, num dia de setembro
Tao bonito, a procissao passar
num momento tudo vira do avesso
os touros fogem dos homens, com medo no olhar

um milhao de anjos selestinos
semeiam suas rosas como fogo
esperando de espinhos seus destinos
acreditando na promessa de um louco

A nuvem de insetos fecha o tempo
talvez anunciando o fim
respondendo `as nuvens de incenso
Nao erga as maos, nao por mim

Mas que estranhos esses eventos meus
Já que por aqui nao sobrou nenhum Deus.

***

Carona Inusitada

Pra que perder
tanto tempo
andando a pé
se a cada esquina
uma carona
com baleias
posso pegar

E eu fico
tao contente
só de ouvir
essa bagunca
de poemas
qu'elas insistem em cantar

Nao tenho medo de altura...
Mas de vertigem.

Problema
é tentar
tudo anotar
nessa estrada
esburacada
que se forma
pelo mar

E no embalo
Nem reparam
e tropecam
no primeiro
pé de vento
que as obriga
a voar

Nao tenho medo de altura...
Mas de vertigem.

O frio
aqui do alto
nao me importa
ao contrário
é agradavel
e me faz
querer dancar

cada casa
uma caixinha
eu fico tonto
só de ter
que imaginar
que tenho hora
pra voltar

Nao tenho medo de altura...
Mas de vertigem.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Ei...!

Eu me masturbo muito! E voces?

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Espectativa

"Eu estou aqui! Me note! Me perceba! Me ame!"
E um dia até me apaixonei.
Passava dias e noites pensando nela, seus longos cabelos negros, os olhos verdes que me miravam, como quem diz "entao, e depois?"...nao dormia, nao comia, nao vivia, e se vivia era só pra pensar nessa menina com quem mal falava. Meus pais tentaram de tudo pra me animar, mas nao adiantou muito.
Até que um dia a perguntei:
"Voce quer namorar comigo?"
"Nao" ela disse.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Prostituicao

Isso mesmo. Eu sou a pior prostituta. Eu e boa parte de voces.


Sexo nao é tao sagrado quanto tudo isso que aqui vendo.


E que voces vao lendo.


E me revirando as entranhas


Procurando um ponto comum, um ponto de apoio, uns segundos de distracao.


Ou só ver como eu ando.


Devia guardar esse texto pra quando fosse famoso, mas agora ja era.


O cliente ja pagou adiantado, mas é muito pior tentar abrir minha mente do que só minhas pernas.


Atravez de meu útero voces nao atingem minha alma.


Nao deveriam.


Atingem. Mas nao tanto quanto pela minha poesia.


Se é que, Deus meu, sobrou alguma.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Leoa

Que não vou tê-la
O adeus mais seco
Ver seu sorriso sumir pela
luz do espelho, que já nem vejo

Espero em vão
o cheiro dos trens e óleo
e de minha fumaça nessa estação
que me leva embora com meu ódio

Dez minutos com ela
bastariam ao meu desejo
Mas esse é o tempo de minha espera
Ir pra casa num corpo sem peso

Ele chega;sento no último vagão
não quero ver,de frente, trilhos tão sólidos
e, embora leve comigo meu coração
deixo contigo, Leoa, meus olhos.

***

Nao é nem um pouco isso o que voces estao pensando. Nem sobre quem voces estao pensando. Esse é pra mim.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Poema Minuto.

O vento sopra
sim , é frio
eu vou pra casa
e la voce nao está
de novo
o vento sopra,
sim, é frio
eu vou-me embora
qualquer lugar
novo
voce nao esta lá
sim, é frio
mas o vento me sopra
embora
pra qualquer lugar
pra casa
pra qualquer lugar
eu vou que voce nao está

um frio novo, embora
o vento seja o mesmo
embora tudo seja o mesmo
essa casa já nao é meu lugar
lá, aha,
onde voce me soprar.
Onde voce me levar.
onde voce nao está.
Eu 'to.
nenhum ponteiro me apressa
nenhum ponteiro me apressa
nenhum ponteiro me apressa
nenhum ponteiro me apressa
E a minha beleza é essa.
só essa.
só essa.

***

Nunca mais escrevo coisas correndo assim.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Sila

Ai de mim,
que ao teu lado
mal respiro
E fico assim
meio calado
nem um suspiro
Tua pele marfim
é um pecado
que num momento me iro...

Tua boca macia
nos olhos meus

Minha mente vazia
Desejo, adeus

Também é forma de amor
o teu vestido já no ar
nao me importa a tua cor
teu medo me faz delirar

Teu bafo ofegante
maos que fingem nao querer
eu sinto, distante
a tua pubis a ferver
Ai de mim, pobre amante
nem tem nada a perder
meu papel de dominante
como queria voce.
Um ator arquejante
querida, a vossa mercê.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O que nao se ve

- Tem alguem olhando?
- Nao...
- Entao me beija logo.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Relojoeiro

Cada dia lhe parece igual
o trabalho nunca para,
ao contrário dos relógios
que conserta muito mal
o homem nunca para
seu bafo ardente, ponteiros sóbrios
É...um sonho nao se para.


Nao se importa se nao sabe
o seu trabalho

Quer trazer de volta ao mundo
cada minuto do passado
mas nao sente que, lá no fundo,
lhe bate um relógio parado.

Em sua sala milhares deles
jazendo em mesas, paredes
no meio de tudo, com sua barba
e longos brancos cabelos
Ve seus velhos medos subindo pelas paredes
é tudo uma farsa! É tudo uma farsa!
Nao se encolha contra a parede!

Nao se importa se nao sabe
o tamanho da mentira

quer trazer de volta ao mundo
cada minuto do passado
mas nao sente que la no fundo
lhe bate (ainda) um relogio parado
Há tanto tempo o mecanismo nao está junto
Mas vive, mesmo que lá fora tenho morrido um bocado.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Mais poesia barata.

Um dia
e tudo muda
O que antes parecia certo
Hoje me parece só mais uma idéia
estúpida
Mas como me convencer
de que estou certo
Quando vejo, tao de perto,
meu mundo girando
(como queria)
Na orbita de outro Sol?

***

Me devolva
todas as cores
destes portais.
Mesmo que eles já nao
abram pra canto algum...
Eu canto e 'inda
procuro meu recanto
meu descanso
meu suor. E o sangue
entre tuas pernas me dá paz.

Me revolva
todas as flores
desses quintais
mesmo que esles já estejam
abertos pro santo azul...
Eu canto e, nao minta,
se procuras algo manso
com seu ranço
meu suor. E o sangue
entre teus lábios
me faz querer mais...
Ah, querida, muito mais.

Me resolva
todos os fatores
desses sinais
mesmo que eles já venham tao
abertos ao pranto e ao rum
eu canto e toda quinta
se procura algum avanço
se nao canso
meu suor. E o sangue entre meus
dedos me faz querer voltar atrás,
Ah, querida, tao atrás...Ah, querida, tanto faz.

***








Esquecido
No seu sótao
com suas bonecas,
seu cetim
sua avó e um primeiro beijo
nao tao bom assim
atrás daquele tombo
daquele roubo
daquela roubada
em cima da sapatilha empoeirada
da calça errada
que nunca foi trocada
No monte de musicas,
nos vinis mal gravados da tua memória
há poucas sobre mim.
talvez por isso esteja lá
com minha teia
minha poeira
meu tossir
Sob a caixa grande da vitrola
no cantinho mais sem graça da tua cachola
ainda respirando
e esperando
o dia em que voce remexa suas velharias
e me ache, como prometi estar
Respirando
e esperando
Respirando
Mas ta demorando...
Respirando...
Tanto...

quarta-feira, 28 de março de 2007

Concretinismos

A musa que nunca vem
Quando eu quero que venha
a faísca celeste que chamamos
de inspiracao
capturar o momento e nao deixa-lo
esmaecer
as vezes quase desisto
e voce chega
botando as ideias mais estranhas
em minhas entranhas
-
Os corvos que se julgam
e se condenam
o jogo de golf interminavel
homens que procuram a lua
e tentam agarra-la
do alto de prédios
um trem para lugar nenhum
a tesoura em minha mao
corta teus cabelos
voce nao liga
meu fim entre tuas pernas
ah, pena, fria
acabou-se a poesia
(depois que a gente fode
eu te largo;voce foge
e deus sabe se vai voltar)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Peixes e Pássaros.

Em seu velho caderno ela escrevia. Nossa, e como escrevia! O caderno já estava quase acabando, lotado com seus textos, seus poemas, seus segredos.

E ninguém nunca os lia. Ninguém. Ela não deixava. Quando alguém pedia para ver o que era, simplesmente desconversava. Mas então, por que continuava escrevendo? Não sei, ora, pergunte a ela. “Por que você escreve?” “Não sei...”. Simples assim. Escrever estava no seu DNA, nos dedos, nos olhos, no couro cabeludo, enfim, cada célula dela era voltada ao ato de escrever. E tudo isso aos quatorze anos.

No começo, escrevia contos de fadas, historias fantásticas sobre princesas e castelos. Até que conheceu o amor. Quando isso aconteceu, os contos de fadas passaram a incluir príncipes e plebeus apaixonados, cavaleiros valorosos salvando suas donzelas. Conheceu a rejeição, e com isso esqueceu os contos de princesa e passou a escrever tristes poemas e histórias. Eis uma delas:

“Um pássaro voava livremente pelo céu azul de seu globo de vidro. Gostava disso, sua vida era passar dias voando pra lá e pra cá. Um dia, meio que sem querer, olhou para baixo e viu um belo peixe nadando. Apaixonou-se na hora. Mas havia um problema! Em seu mundo uma grossa camada de vidro sapara os céus, dos pássaros, dos mares, pertencentes aos peixes.

Não agüentando, voou até o vidro e lá pousou. O peixe, sua amada, nadou até a superfície para ficar perto do pássaro. Assim eles ficaram, ‘namorando’, pelo vidro. E foi bom por um tempo, mas a bela ave queria mais. Queria sentir sua amada junto a si, não só sentir seu calor por uma placa de vidro! E nesse desespero ele começou a bicar o vidro. Bicou, bicou, bicou, bicou até seu bico ficar totalmente desfigurado e sangrento. Assustada e preocupada, a peixinha o mandou ir embora, ‘para o seu próprio bem’. E nadou para o fundo.

O pobre pássaro não podia ficar mais triste. Voou, voou, voou o mais alto que pode. Seus amigos gritavam ‘Não faça isso!’ ‘É bobagem!’ e ‘Não ia dar certo mesmo!’, mas ele não deu ouvidos, e se jogou lá de cima. Caiu rápido como uma bala, o corpo tenso e determinado, os olhos fixados no fundo do “poço”...

Morreu na esperança de quebrar a barreira que os separava.”

Triste, não?

A menina cresceu, é claro, como todos eles crescem. Aos quinze anos, esqueceu seu caderno e conheceu a aceitação no amor. Estudou, fez medicina numa boa faculdade, casou, teve dois filhos, se divorciou.

Era uma medica bem sucedida. Nem de longe lembrava a menina de quatorze anos que escrevia. Tinha o cabelo curto e andava firmemente pelo seu hospital. Nem de muito longe lembrava a menina que se perdia num mar de cabelo castanho e andava engraçado, meio tímida, meio desengonçada mesmo.

E hoje ela está morrendo numa cama. Já haviam suspendido a quimioterapia há algum tempo, seus cabelos já haviam crescido um pouco. Irritou-se, levantou-se da cama e foi olhar suas coisas velhas. No meio delas achou um velho caderno.

Deitou-se e abriu-o aleatoriamente. Caiu na pagina dos peixes e dos pássaros. Leu, riu e disse em voz alta:

“Heh... Quem sabe se eu tivesse voado um pouco mais alto antes de me jogar no vidro... Talvez eu tivesse quebrado a maldita barreira...

Mas agora é tarde...”

Como eu sei disso? Eu estava lá. Eu estava ao seu lado, li com ela seu conto, ouvi suas ultimas palavras e a levei comigo.



***

Ah, crianças... se lembrem de sempre se jogar do ponto mais alto, tá?

terça-feira, 13 de março de 2007

3 poemas

- Castela

Ah, a saudade gostosa
dos tempos antigos
me aperta tanto nesses dias frios
A falta da baderna noite afora
dos lugares que fomos e tudo que vimos
sem nem cruzar a porta
do quarto
Eramos tantos, e agora
o que sobra?
A dor amada no fundo da boca
o gosto amargo de meus dedos
a falta de ar na caixa do peito.

Melhor seria ter ficado em casa
que admirar o mar que nao vemos
o pulso no compasso, o pulso no compasso
o pulso no compasso das ondas que vem
esperando nos tragar
Já que as vozes já nao chamam
vou-me embora; minha coroa
vou buscar. Besta é que sempre
vou levar
Ah, a saudade gostosa
dos tempos antigos
(que tanto me apertam nesses últimos dias)
Que tanto me aperta nesses dias frios

***

"Além do mais, sei que tem algo lá;
Algo grande me esperando
Já vejo na distancia
aquela estrada dourada
mas nao serei eu tal qual Quixote
por embarcar em tal empreitada?
Nao importa.
Que venham os moinhos
e os derrubo como gigantes,
que minha febre é enorme
e minha fome, maior ainda.

O mundo, é, o mundo inteiro, ainda vai ser meu."

***

Se eu saio voce chega
se aconchega e espera
que eu caia do céu.

Pois eu fico é com medo
que se perco uma hora ou outra
que eu caia do céu!

E todo dia é uma bagunca, um aue
que eu nao te amo e sei la mais o que

mas que posso eu, que trabalho
de noite de dia de dia de noite
só pra por comida no teu prato
e se mereco estar ao seu lado
é que sou rapaz direito, prendado

Pois é, nega da lingua solta,
pode se acostumá'
Passa essa garrafa pra cá
que a agonia hoje é outra...

terça-feira, 6 de março de 2007

Fábio Frohwein - "Um… dois… três… quatro…"

"Um…
dois…
três…
quatro cuzinhos…
Uma…
duas…
três…
quatro xaninhas…
Meu Deus, por que zombais
de mim com tanta fartura,
se sabeis que sou brocha?"

Fábio Frohwein nasceu em Salvador. Formou-se em Latim pela UFRJ, onde ainda cursou a Especialização em Literaturas Africanas e o Mestrado em Literatura Brasileira. Ganhou vários prêmios literários nacionais e internacionais, com destaque para o Prêmio Internacional de Contos Graciliano Ramos e Prêmio Adolfo Aizen (UBE). Publicou em 2000 o romance A conjuração carnavalesca e em 2003 o infantil Eusou e o Chapéu, além de ter participado de antologias de contos e poemas. Atualmente cursa o Doutorado em Literatura Brasileira pela UFRJ e leciona na Graduação e Pós-Graduação em Letras da Universidade Estácio de Sá. Escreve o blogue Pasta de Rascunho.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Neve rosa

Só continuando algo que um amigo (dos fodas http://docevomito.blogspot.com/ ) comecou, que esse tipo de bobera é sempre boa de se passar a frente.

Pois é.

"Deixem que eles riam de nós.
Quanto mais se almeja o topo, mais brigas surgirão nas quais não há absolutamente nenhum motivo para lutar."

Era uma vez um criminoso, um terrível criminoso. Tinha fortunas e mais fortunas, todo o ouro que queria, tudo tirado das maos das mais variadas pessoas.
Um dia, esse rico ladrao caiu doente, horrivelmente doente. Descobriu ter poucos meses de vida, nao importava quanto ouro oferecesse aos mais variados doutores, morreria.
Isso o deixou...triste.
Viajou ao país mais distante, uma terra gelada, atras da melhor doutora do mundo, só para ouvir novamente o que já sabia. Desolado, saiu a vagar, lentamente, pelas planíces.Foi entao que literalmente viu sua salvacao.
Seu peito incrívelmente se encheu de calor, ignorando os muitos graus negativos castigando-lhe a pele, e seus olhos transbordaram com lágrimas que em questao de segundos viraram cristais, rolando face abaixo, tentando inutilmente se segurar na barba hirsuta.

Flores. Flores de cerejeira, se abrindo em meio ao deserto de neve, uma visao surreal, angelical, infernal, o que quer que seja.
O que quer que fosse, estava curado.

***

Nao tao curado assim. Talvez sua doenca tenha sido retardada, mas em poucos anos morreu.

E daí se voce desperdica o que sobrou de sua vida atras de ver, uma vez mais, aquilo que te salvou?
É burrisse fazer de neve flores, e acreditar em curas absurdas? Pois se achas, precisas de mais que um milagre para curar-te a alma, amigo.

Sob a bandeira da determinacao se pode tudo.
Inclusive, ver florir o fim de sua vida.

***

A fonte do texto é a mesma usada pelo Léo do docevomito. A porra dum mangá.
A história foi tirada de lá, contada ao meu jeito, com as adaptacoes e comentários que achei pertinentes.

Boa noite. Só volto semana que vem; é, Eslovaquia. Talvez no Domingo tenha post.

E acredite. Por favor, filho da puta, acredite.
Nao espere o tiro de canhao para deixar rosa a tua neve; pode ser tarde demais.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Conto-minuto besta.

Um arco esticado
tenso, no limite de sua vontade
a flecha aponta para o vazio, procurando formas que os olhos nao veem.

Seria tao simples assim acabar com uma vida?
Uma vida que nao conhece, nao conheco, nao importa, sao as cores, eles levantam cores que nao as nossas, logo...
Logo...
Logo...

Os musculos cansam, ja ouco o latejar de minhas veias, pulsando ao longo do braco suado, ribombando. Os tímpanos tao nervozos quanto os tendoes.

*BAM*, um estrondo, sangue, o arco cai sem cumprir sua funcao. Um tiro. Um tiro.

Nem toda filosofia é a prova de balas. A tecnologia acaba com qualquer poesia que seja.

***

Na verdade minto nesse que deve ser o conto-minuto mais besta que já escrevi, mas que está aqui só pela nescessidade de escrever qualquer baboseira.
Se bem que, entre uma feia e triste locomotiva levando seus passageiros sob uma nuvem gris, o barulho ritmado das rodas coiceando os trilhos como um lamurio de ferro e poeira e um onibus defecando um vaporzinho qualquer enquanto nao reclama nem dos piores buracos na estrada, qual leva mais poesia?
Arranque poesia do pior, e serás a porra d'um genio.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Problema Corriqueiro.

E tremo, tremulo, estremeço
Me mexo, e peço um terço
Já rezo, Oh, Agonía minha
Te ter toda vida
E na vida, um berço, um verso
o reverso do avesso, do averno e aberro
Tudo que vem de tí.

Ora, por isso não durmo,
não como, nao fodo, não, bobo,
Um roubo, assombro, estorvo
Cade? Alma minha foi-se embora
Em boa hora, não chora,
apesar da diáspora de meu eu almo
ter sido teu alvo, rancor nao guardo
nas gavetas do armário.

É assim que tuas raízes fincadas
arrancadas pelo tempo nao usado,
banalizado e jogado, mal-amado,mal-me-quer
mal-te-quer,nao te suportas,e oh
Sou ousado por dizer asneiras
Tornou-se pagante a velha rameira
E cavalo aquele que montava
volto a te amar no instante e no tanto que se odiavas;
Me odiando, tanto quanto me amavas.

O Ladrão e o Sonhador

Foi dormir. Tirou os óculos e os pôs no criado mudo. Tirou os sapatos, encostou a cabeça no travesseiro e rapidamente apagou.

Foi dormir. Pôs a sacola em baixo da cama, deu uma olhada no Sol que acabara de nascer e deitou-se.

Acordou. Pegou os óculos no criado mudo e os colocou. Tivera mais um sonho daqueles. Dos estranhos, daqueles que você sente ver tudo pelos olhos de outra pessoa. Dessa vez estava num galpão abandonado quando um homem que nunca tinha visto chegou. Chamou-o de filho, disse que estava tudo bem agora. Disse que não, pai. Não estava tudo bem. Eu a matei. Matei-a junto ao senhor. O sonho acabou aí. Parou de pensar e foi trabalhar.

Acordou. Pegou a sacola embaixo da cama e botou nas costas. Sonhou que estava andando nas ruas de uma cidade com uma arma na cintura. Andava, andava andava, até que houve uma grande confusão numa multidão. Puxou a arma e disparou duas, três vezes. Gritou. Acordara, voltara a dormir, sonhou que estava chegando em casa e então acordou. Parou de pensar e saiu para o ar noturno.

Foi dormir. Custou um pouco, pois toda hora vinha à sua mente a mesma imagem. A multidão desesperada, um homem com uma arma. Não pensou duas vezes: Puxou a arma e atirou. E então, foi como se o mundo estivesse enevoado e incerto. Só de se lembrou de estar chegando em casa. Por fim, dormiu.

Foi dormir. Pensava no fruto do roubo de hoje. Estava feliz. Ele adorava dragões. Dormiu.

Acordou. Sonhara com balões, milhões deles, voando e rindo de sua cara. Saiu, pegou a condução e chegou à delegacia. Passou o dia preenchendo protocolos e relatórios, e talvez fosse processado. O delegado berrou durante longos quarenta minutos. Como odiava ser uma autoridade. Foi para casa cansado.

Acordou. Sonhara com um escritório, folhas e mais folhas de papel. Horrível. Saiu para a noite, e não demorando muito encontrou uma janela aberta. Entrou com cuidado e encontrou a matéria da pilhagem Era horrível, mas ia servir. Voltou para casa com o nascer do sol.

Foi dormir. Sonhou que era Don Quixote de La Mancha e passou a noite perseguindo um terrível dragão. Foi bom.

Foi dormir. Sonhou que estava numa sala pequena, e um homem de terno dizia coisas difíceis, abanando folhas de papel. Estranho.

Acordou. Foi para o trabalho e lá chegando foi logo chamado para o escritório do chefe. Um advogado leu os seus direitos e disse que teria que depor na segunda-feira. Foi horrível. Ficou o resto do dia na delegacia, depois foi para casa.


Acordou. Levantou-se, pegou o saco embaixo da cama e andou até a janela. Olhou seu corpo deitado na cama. Pensou que depois dos pesadelos de hoje merecia um sonho bom. Daqueles com dragões.


Sabe aqueles sonhos que você sempre
esquece?
Ele lembra. Todos os seus sonhos.
É só olhar dentro de sua sacola.
O grande problema é que ele esquece seus próprios...


***


Conto antigo que só a porra, só pra voces leerem enquanto termino os outros...Foi mal gente,mas tem coisa na fila que nao da pra adiar nem publicar.



***


Esses dias me peguei pensando em definicoes de liberdade e suas desvantagens. As vantagens sao óbvias, ora bolas, voce é livre, LIVRE! E aí? Livre pra fazer o que quiser. Se voce gosta de dinheiro, o seu caminho é fácil, escolha sua habilidade mais "sobressalente" e mande brasa. Acontece.
Mas tem aquela velha historia: voce precisa de dinheiro para fazer dinheiro a maioria das vezes. A tao gasta teoria da ditadura do capital.

É uma frase tao passada, tao besta, tao chiché, de que a liberdade da maioria dos países de hoje é uma liberdade superficial, aproveitada pela elite..."No comunismo a gente nao podia viajar pra onde quisesse! Nao podia falar o que quisesse! Roupas? Só as horriveis coisas comunistas..." Hoje quem tem grana pra viajar? E pode reclamar? Naaao, se falar que no comunismo era melhor, se tinha um trabalho ou algo pelo menosé logo calado, excluído, tido como louco retrógrado e cacofónico (como dizem nossos irmaos lusitanos) . Quem compra Nike?

Opa. Se o mundo inteiro fosse comunista, voce poderia viajar praonde quisesse! A producao seria maior, maior diversidade, tudo melhor!

E as mulheres dos chefes de comite continuariam passando as férias em Paris.

A mulher do Jaromir, que trabalha na fabrica de vidro, passa as férias lavando roupa.

E o povinho chulo da classe média atola seus blogs com filosofia vazia. Estando de férias ou nao.

Ih, nao era isso socialismo? Esquece, abafa...

Quem se importa?

domingo, 21 de janeiro de 2007

Sob a névoa

Era mais uma viagem em família. Montanhas, tal, casinha sem energia elétrica...Quatro horas enfurnado dentro do carro. A chuva caindo tamborilava no vidro do carro como uma cançao de ninar antiga (a mais antiga) para as pálpebras já pesadas pelo tédio. O cachorro latia, do colo de sua mae, de tempos em tempos para lembra-los de que estava lá. O mundo derretia num borrao veloz de verde e cinza.
Finalmente chegaram. A diferenca de pressao machucava seus ouvidos, mas nao tanto quanto a voz da mae dizendo "OBA! Um final de semana inteiro na natureza, sem energia elétrica, sem ninguém!" Ninguém ninguém ninguém, a palavra ecoava no fundo de sua cabeca, ninguém...
Já era noite. Os pais acenderam velas, um fogo crepitava na lareira, os cantos escuros, o vinho, o cachorro correndo do lado de fora da casinha, o cheiro de mato. "Boa noite..." Disse, desanimado, subindo as escadas. Os progenitores se entreolharam. "Boa noite! Nao quer um pouco de vinho?" "Nao, nao tenho dezoito. Boa noite..." respondeu sem olhar para tras. O andar de cima estava frio e completamente escuro, logo, tateou até o que seria seu quarto, se despiu de todas as roupas e se enfiou, nu como um verme, sob as pesadas cobertas que fediam levemente a mofo. Dormiu como ha muito tempo nao dormia...
Acordou cedo, cedo demais, os pais dormiam ainda. Sabia pelo ronco de ambos vindo do quarto vizinho. Desceu as escadas, ainda nu, procurando por algo pra comer. O sol fraco da manha mal iluminava o interior da casinha, mas foi o bastante para achar uma maça, um bocado de pao e leite numa cesta sob a pia. Enquanto mastigava alternadamente pao maça e molhava tudo com leite, a janela da sala tremeu.
Mas tremeu. O rapaz correu e teve tempo de ver, detras de uma cortina finíssima, a causa do barulho todo.

Uma Cabeça de cavalo enorme bufava. Cada respiraçao do animal liberava, atravez de narinas que mais pareciam segundas (e terceiras) janelas, uma névoa densa, um vapor, como fosse o pesado equino uma locomotiva antiga, antiquada e veloz, com a diferença de estar parado.
O menino pensou "Eu odiaria ve-lo correndo."


***

Agora eu tenho que ir. Depois eu termino o conticulo...É meio bobo, mas os outros ainda tao em fase de embromacao.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

I'd Rather Dance with You.



"I'd rather dance with you than talk with you
So why don't we just move into the other room
There's space for us to shake, and hey, I like this tune

Even if I could hear what you said
I doubt my reply would be interesting for you to hear
Because I haven't read a single book all year
And the only film I saw, I didn't like it at all

I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you

The music's too loud and the noise from the crowd
Increases the chance of misinterpretation
So let your hips do the talking
I'll make you laugh by acting like the guy who sings
And you'll make me smile by really getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing...

(Getting to the swing...)
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance with you
I'd rather dance with you..."

Blog. É. Depois posto direito...