quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Problema Corriqueiro.

E tremo, tremulo, estremeço
Me mexo, e peço um terço
Já rezo, Oh, Agonía minha
Te ter toda vida
E na vida, um berço, um verso
o reverso do avesso, do averno e aberro
Tudo que vem de tí.

Ora, por isso não durmo,
não como, nao fodo, não, bobo,
Um roubo, assombro, estorvo
Cade? Alma minha foi-se embora
Em boa hora, não chora,
apesar da diáspora de meu eu almo
ter sido teu alvo, rancor nao guardo
nas gavetas do armário.

É assim que tuas raízes fincadas
arrancadas pelo tempo nao usado,
banalizado e jogado, mal-amado,mal-me-quer
mal-te-quer,nao te suportas,e oh
Sou ousado por dizer asneiras
Tornou-se pagante a velha rameira
E cavalo aquele que montava
volto a te amar no instante e no tanto que se odiavas;
Me odiando, tanto quanto me amavas.

O Ladrão e o Sonhador

Foi dormir. Tirou os óculos e os pôs no criado mudo. Tirou os sapatos, encostou a cabeça no travesseiro e rapidamente apagou.

Foi dormir. Pôs a sacola em baixo da cama, deu uma olhada no Sol que acabara de nascer e deitou-se.

Acordou. Pegou os óculos no criado mudo e os colocou. Tivera mais um sonho daqueles. Dos estranhos, daqueles que você sente ver tudo pelos olhos de outra pessoa. Dessa vez estava num galpão abandonado quando um homem que nunca tinha visto chegou. Chamou-o de filho, disse que estava tudo bem agora. Disse que não, pai. Não estava tudo bem. Eu a matei. Matei-a junto ao senhor. O sonho acabou aí. Parou de pensar e foi trabalhar.

Acordou. Pegou a sacola embaixo da cama e botou nas costas. Sonhou que estava andando nas ruas de uma cidade com uma arma na cintura. Andava, andava andava, até que houve uma grande confusão numa multidão. Puxou a arma e disparou duas, três vezes. Gritou. Acordara, voltara a dormir, sonhou que estava chegando em casa e então acordou. Parou de pensar e saiu para o ar noturno.

Foi dormir. Custou um pouco, pois toda hora vinha à sua mente a mesma imagem. A multidão desesperada, um homem com uma arma. Não pensou duas vezes: Puxou a arma e atirou. E então, foi como se o mundo estivesse enevoado e incerto. Só de se lembrou de estar chegando em casa. Por fim, dormiu.

Foi dormir. Pensava no fruto do roubo de hoje. Estava feliz. Ele adorava dragões. Dormiu.

Acordou. Sonhara com balões, milhões deles, voando e rindo de sua cara. Saiu, pegou a condução e chegou à delegacia. Passou o dia preenchendo protocolos e relatórios, e talvez fosse processado. O delegado berrou durante longos quarenta minutos. Como odiava ser uma autoridade. Foi para casa cansado.

Acordou. Sonhara com um escritório, folhas e mais folhas de papel. Horrível. Saiu para a noite, e não demorando muito encontrou uma janela aberta. Entrou com cuidado e encontrou a matéria da pilhagem Era horrível, mas ia servir. Voltou para casa com o nascer do sol.

Foi dormir. Sonhou que era Don Quixote de La Mancha e passou a noite perseguindo um terrível dragão. Foi bom.

Foi dormir. Sonhou que estava numa sala pequena, e um homem de terno dizia coisas difíceis, abanando folhas de papel. Estranho.

Acordou. Foi para o trabalho e lá chegando foi logo chamado para o escritório do chefe. Um advogado leu os seus direitos e disse que teria que depor na segunda-feira. Foi horrível. Ficou o resto do dia na delegacia, depois foi para casa.


Acordou. Levantou-se, pegou o saco embaixo da cama e andou até a janela. Olhou seu corpo deitado na cama. Pensou que depois dos pesadelos de hoje merecia um sonho bom. Daqueles com dragões.


Sabe aqueles sonhos que você sempre
esquece?
Ele lembra. Todos os seus sonhos.
É só olhar dentro de sua sacola.
O grande problema é que ele esquece seus próprios...


***


Conto antigo que só a porra, só pra voces leerem enquanto termino os outros...Foi mal gente,mas tem coisa na fila que nao da pra adiar nem publicar.



***


Esses dias me peguei pensando em definicoes de liberdade e suas desvantagens. As vantagens sao óbvias, ora bolas, voce é livre, LIVRE! E aí? Livre pra fazer o que quiser. Se voce gosta de dinheiro, o seu caminho é fácil, escolha sua habilidade mais "sobressalente" e mande brasa. Acontece.
Mas tem aquela velha historia: voce precisa de dinheiro para fazer dinheiro a maioria das vezes. A tao gasta teoria da ditadura do capital.

É uma frase tao passada, tao besta, tao chiché, de que a liberdade da maioria dos países de hoje é uma liberdade superficial, aproveitada pela elite..."No comunismo a gente nao podia viajar pra onde quisesse! Nao podia falar o que quisesse! Roupas? Só as horriveis coisas comunistas..." Hoje quem tem grana pra viajar? E pode reclamar? Naaao, se falar que no comunismo era melhor, se tinha um trabalho ou algo pelo menosé logo calado, excluído, tido como louco retrógrado e cacofónico (como dizem nossos irmaos lusitanos) . Quem compra Nike?

Opa. Se o mundo inteiro fosse comunista, voce poderia viajar praonde quisesse! A producao seria maior, maior diversidade, tudo melhor!

E as mulheres dos chefes de comite continuariam passando as férias em Paris.

A mulher do Jaromir, que trabalha na fabrica de vidro, passa as férias lavando roupa.

E o povinho chulo da classe média atola seus blogs com filosofia vazia. Estando de férias ou nao.

Ih, nao era isso socialismo? Esquece, abafa...

Quem se importa?

domingo, 21 de janeiro de 2007

Sob a névoa

Era mais uma viagem em família. Montanhas, tal, casinha sem energia elétrica...Quatro horas enfurnado dentro do carro. A chuva caindo tamborilava no vidro do carro como uma cançao de ninar antiga (a mais antiga) para as pálpebras já pesadas pelo tédio. O cachorro latia, do colo de sua mae, de tempos em tempos para lembra-los de que estava lá. O mundo derretia num borrao veloz de verde e cinza.
Finalmente chegaram. A diferenca de pressao machucava seus ouvidos, mas nao tanto quanto a voz da mae dizendo "OBA! Um final de semana inteiro na natureza, sem energia elétrica, sem ninguém!" Ninguém ninguém ninguém, a palavra ecoava no fundo de sua cabeca, ninguém...
Já era noite. Os pais acenderam velas, um fogo crepitava na lareira, os cantos escuros, o vinho, o cachorro correndo do lado de fora da casinha, o cheiro de mato. "Boa noite..." Disse, desanimado, subindo as escadas. Os progenitores se entreolharam. "Boa noite! Nao quer um pouco de vinho?" "Nao, nao tenho dezoito. Boa noite..." respondeu sem olhar para tras. O andar de cima estava frio e completamente escuro, logo, tateou até o que seria seu quarto, se despiu de todas as roupas e se enfiou, nu como um verme, sob as pesadas cobertas que fediam levemente a mofo. Dormiu como ha muito tempo nao dormia...
Acordou cedo, cedo demais, os pais dormiam ainda. Sabia pelo ronco de ambos vindo do quarto vizinho. Desceu as escadas, ainda nu, procurando por algo pra comer. O sol fraco da manha mal iluminava o interior da casinha, mas foi o bastante para achar uma maça, um bocado de pao e leite numa cesta sob a pia. Enquanto mastigava alternadamente pao maça e molhava tudo com leite, a janela da sala tremeu.
Mas tremeu. O rapaz correu e teve tempo de ver, detras de uma cortina finíssima, a causa do barulho todo.

Uma Cabeça de cavalo enorme bufava. Cada respiraçao do animal liberava, atravez de narinas que mais pareciam segundas (e terceiras) janelas, uma névoa densa, um vapor, como fosse o pesado equino uma locomotiva antiga, antiquada e veloz, com a diferença de estar parado.
O menino pensou "Eu odiaria ve-lo correndo."


***

Agora eu tenho que ir. Depois eu termino o conticulo...É meio bobo, mas os outros ainda tao em fase de embromacao.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

I'd Rather Dance with You.



"I'd rather dance with you than talk with you
So why don't we just move into the other room
There's space for us to shake, and hey, I like this tune

Even if I could hear what you said
I doubt my reply would be interesting for you to hear
Because I haven't read a single book all year
And the only film I saw, I didn't like it at all

I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you

The music's too loud and the noise from the crowd
Increases the chance of misinterpretation
So let your hips do the talking
I'll make you laugh by acting like the guy who sings
And you'll make me smile by really getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing
Getting into the swing, getting into the swing...

(Getting to the swing...)
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance, I'd rather dance than talk with you
I'd rather dance with you
I'd rather dance with you..."

Blog. É. Depois posto direito...