sábado, 10 de fevereiro de 2007

Neve rosa

Só continuando algo que um amigo (dos fodas http://docevomito.blogspot.com/ ) comecou, que esse tipo de bobera é sempre boa de se passar a frente.

Pois é.

"Deixem que eles riam de nós.
Quanto mais se almeja o topo, mais brigas surgirão nas quais não há absolutamente nenhum motivo para lutar."

Era uma vez um criminoso, um terrível criminoso. Tinha fortunas e mais fortunas, todo o ouro que queria, tudo tirado das maos das mais variadas pessoas.
Um dia, esse rico ladrao caiu doente, horrivelmente doente. Descobriu ter poucos meses de vida, nao importava quanto ouro oferecesse aos mais variados doutores, morreria.
Isso o deixou...triste.
Viajou ao país mais distante, uma terra gelada, atras da melhor doutora do mundo, só para ouvir novamente o que já sabia. Desolado, saiu a vagar, lentamente, pelas planíces.Foi entao que literalmente viu sua salvacao.
Seu peito incrívelmente se encheu de calor, ignorando os muitos graus negativos castigando-lhe a pele, e seus olhos transbordaram com lágrimas que em questao de segundos viraram cristais, rolando face abaixo, tentando inutilmente se segurar na barba hirsuta.

Flores. Flores de cerejeira, se abrindo em meio ao deserto de neve, uma visao surreal, angelical, infernal, o que quer que seja.
O que quer que fosse, estava curado.

***

Nao tao curado assim. Talvez sua doenca tenha sido retardada, mas em poucos anos morreu.

E daí se voce desperdica o que sobrou de sua vida atras de ver, uma vez mais, aquilo que te salvou?
É burrisse fazer de neve flores, e acreditar em curas absurdas? Pois se achas, precisas de mais que um milagre para curar-te a alma, amigo.

Sob a bandeira da determinacao se pode tudo.
Inclusive, ver florir o fim de sua vida.

***

A fonte do texto é a mesma usada pelo Léo do docevomito. A porra dum mangá.
A história foi tirada de lá, contada ao meu jeito, com as adaptacoes e comentários que achei pertinentes.

Boa noite. Só volto semana que vem; é, Eslovaquia. Talvez no Domingo tenha post.

E acredite. Por favor, filho da puta, acredite.
Nao espere o tiro de canhao para deixar rosa a tua neve; pode ser tarde demais.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Conto-minuto besta.

Um arco esticado
tenso, no limite de sua vontade
a flecha aponta para o vazio, procurando formas que os olhos nao veem.

Seria tao simples assim acabar com uma vida?
Uma vida que nao conhece, nao conheco, nao importa, sao as cores, eles levantam cores que nao as nossas, logo...
Logo...
Logo...

Os musculos cansam, ja ouco o latejar de minhas veias, pulsando ao longo do braco suado, ribombando. Os tímpanos tao nervozos quanto os tendoes.

*BAM*, um estrondo, sangue, o arco cai sem cumprir sua funcao. Um tiro. Um tiro.

Nem toda filosofia é a prova de balas. A tecnologia acaba com qualquer poesia que seja.

***

Na verdade minto nesse que deve ser o conto-minuto mais besta que já escrevi, mas que está aqui só pela nescessidade de escrever qualquer baboseira.
Se bem que, entre uma feia e triste locomotiva levando seus passageiros sob uma nuvem gris, o barulho ritmado das rodas coiceando os trilhos como um lamurio de ferro e poeira e um onibus defecando um vaporzinho qualquer enquanto nao reclama nem dos piores buracos na estrada, qual leva mais poesia?
Arranque poesia do pior, e serás a porra d'um genio.