terça-feira, 24 de abril de 2007

Relojoeiro

Cada dia lhe parece igual
o trabalho nunca para,
ao contrário dos relógios
que conserta muito mal
o homem nunca para
seu bafo ardente, ponteiros sóbrios
É...um sonho nao se para.


Nao se importa se nao sabe
o seu trabalho

Quer trazer de volta ao mundo
cada minuto do passado
mas nao sente que, lá no fundo,
lhe bate um relógio parado.

Em sua sala milhares deles
jazendo em mesas, paredes
no meio de tudo, com sua barba
e longos brancos cabelos
Ve seus velhos medos subindo pelas paredes
é tudo uma farsa! É tudo uma farsa!
Nao se encolha contra a parede!

Nao se importa se nao sabe
o tamanho da mentira

quer trazer de volta ao mundo
cada minuto do passado
mas nao sente que la no fundo
lhe bate (ainda) um relogio parado
Há tanto tempo o mecanismo nao está junto
Mas vive, mesmo que lá fora tenho morrido um bocado.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Mais poesia barata.

Um dia
e tudo muda
O que antes parecia certo
Hoje me parece só mais uma idéia
estúpida
Mas como me convencer
de que estou certo
Quando vejo, tao de perto,
meu mundo girando
(como queria)
Na orbita de outro Sol?

***

Me devolva
todas as cores
destes portais.
Mesmo que eles já nao
abram pra canto algum...
Eu canto e 'inda
procuro meu recanto
meu descanso
meu suor. E o sangue
entre tuas pernas me dá paz.

Me revolva
todas as flores
desses quintais
mesmo que esles já estejam
abertos pro santo azul...
Eu canto e, nao minta,
se procuras algo manso
com seu ranço
meu suor. E o sangue
entre teus lábios
me faz querer mais...
Ah, querida, muito mais.

Me resolva
todos os fatores
desses sinais
mesmo que eles já venham tao
abertos ao pranto e ao rum
eu canto e toda quinta
se procura algum avanço
se nao canso
meu suor. E o sangue entre meus
dedos me faz querer voltar atrás,
Ah, querida, tao atrás...Ah, querida, tanto faz.

***








Esquecido
No seu sótao
com suas bonecas,
seu cetim
sua avó e um primeiro beijo
nao tao bom assim
atrás daquele tombo
daquele roubo
daquela roubada
em cima da sapatilha empoeirada
da calça errada
que nunca foi trocada
No monte de musicas,
nos vinis mal gravados da tua memória
há poucas sobre mim.
talvez por isso esteja lá
com minha teia
minha poeira
meu tossir
Sob a caixa grande da vitrola
no cantinho mais sem graça da tua cachola
ainda respirando
e esperando
o dia em que voce remexa suas velharias
e me ache, como prometi estar
Respirando
e esperando
Respirando
Mas ta demorando...
Respirando...
Tanto...