quinta-feira, 31 de maio de 2007

Prostituicao

Isso mesmo. Eu sou a pior prostituta. Eu e boa parte de voces.


Sexo nao é tao sagrado quanto tudo isso que aqui vendo.


E que voces vao lendo.


E me revirando as entranhas


Procurando um ponto comum, um ponto de apoio, uns segundos de distracao.


Ou só ver como eu ando.


Devia guardar esse texto pra quando fosse famoso, mas agora ja era.


O cliente ja pagou adiantado, mas é muito pior tentar abrir minha mente do que só minhas pernas.


Atravez de meu útero voces nao atingem minha alma.


Nao deveriam.


Atingem. Mas nao tanto quanto pela minha poesia.


Se é que, Deus meu, sobrou alguma.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Leoa

Que não vou tê-la
O adeus mais seco
Ver seu sorriso sumir pela
luz do espelho, que já nem vejo

Espero em vão
o cheiro dos trens e óleo
e de minha fumaça nessa estação
que me leva embora com meu ódio

Dez minutos com ela
bastariam ao meu desejo
Mas esse é o tempo de minha espera
Ir pra casa num corpo sem peso

Ele chega;sento no último vagão
não quero ver,de frente, trilhos tão sólidos
e, embora leve comigo meu coração
deixo contigo, Leoa, meus olhos.

***

Nao é nem um pouco isso o que voces estao pensando. Nem sobre quem voces estao pensando. Esse é pra mim.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Poema Minuto.

O vento sopra
sim , é frio
eu vou pra casa
e la voce nao está
de novo
o vento sopra,
sim, é frio
eu vou-me embora
qualquer lugar
novo
voce nao esta lá
sim, é frio
mas o vento me sopra
embora
pra qualquer lugar
pra casa
pra qualquer lugar
eu vou que voce nao está

um frio novo, embora
o vento seja o mesmo
embora tudo seja o mesmo
essa casa já nao é meu lugar
lá, aha,
onde voce me soprar.
Onde voce me levar.
onde voce nao está.
Eu 'to.
nenhum ponteiro me apressa
nenhum ponteiro me apressa
nenhum ponteiro me apressa
nenhum ponteiro me apressa
E a minha beleza é essa.
só essa.
só essa.

***

Nunca mais escrevo coisas correndo assim.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Sila

Ai de mim,
que ao teu lado
mal respiro
E fico assim
meio calado
nem um suspiro
Tua pele marfim
é um pecado
que num momento me iro...

Tua boca macia
nos olhos meus

Minha mente vazia
Desejo, adeus

Também é forma de amor
o teu vestido já no ar
nao me importa a tua cor
teu medo me faz delirar

Teu bafo ofegante
maos que fingem nao querer
eu sinto, distante
a tua pubis a ferver
Ai de mim, pobre amante
nem tem nada a perder
meu papel de dominante
como queria voce.
Um ator arquejante
querida, a vossa mercê.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

O que nao se ve

- Tem alguem olhando?
- Nao...
- Entao me beija logo.