sábado, 22 de novembro de 2008

Desistência

Porque blog é um troço meio brega, né?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

RELAMPAGO

Droga, não consigo parar. O que eu quero com isso eu não sei. Só esquentando os dedos, que faz tempo que não escrevo.
Devia estar escrevendo algumas besteiras sobre achar Deus numa cabina de banheiro de rodoviária, mas cara, parece que os problemas da minha cabeça e de meus pulmões são bem mais importantes.
Achava que jogando tudo pra ca eu ia acabar cansando e conseguindo dormir, cansando e conseguido dormir acordaria num outro mundo muito mais feliz e menos doloroso, onde eu nao seria nem tao ramatioc nem tao neurotico nem estaria acima do peso . mas só o qeu eu sei fazer é reclamar.
E reclamo pra mim mesmo, na mesma medida em que resmungo. E depois ainda acuso o mundo de ser insensível.
Só deveria bater mais forte,.
Queria dizer isso pra você.
Que você me faz querer ficar todo velho e enrugado, sendo feliz, sentado numa varanda.
Quem é você?
Inação
inação
Inação
Não sei se a palavra existe, mas existe o estado de espírito. A única coisa que realmente acontece por aqui é a metralhadora de palavras dentro da cuca. Faça. Faça. Faça.
A velocidade do pensamento paraliza o corpo, te deixa pregado no chão. É tudo tão simples. É tudo tão complicado. Existem tantas desculpas pra ficar parado, é só escolher a mais bonita e ponto. Ponto.
Que bobagem pensar que só uma desculpinha qualquer vai tirar toda essa sujeira acumulado nos cantos do remorso.
Porque é incrível como se anda tanto, apenas pra chegar no mesmo maldito lugar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Animais Noturnos

É, basicamente, como um peixinho esperando pra morrer.

Você não entende plenamente o que está acontecendo, mas a água está turva, e nadar é incomodo demais.

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Os ruídos da madrugada são estranhos. Dia desses ouvi a vizinha de cima tendo um orgasmo. Ela é uma senhora respeitável, deve ter lá seus sessenta anos, logo, não houve surpresa alguma de minha parte quando seus gemidos me acordaram de minha insônia latente. O incrível mesmo foi ter me excitado ao pensar nela, viúva já pela segunda vez, contratando um gigolô ou caçando menininhos na rua para que lhe satisfaçam seus púdicos desejos carnais. Ou se masturbando mesmo, tem gente que tem essa disposição a vida toda. Seja como for, foi divertido sujar sua boa imagem com imagens minhas, muito mais interessantes. Afrodisíaco é acabar com a santidade ,nem que seja só em pensamento.

Agora, que ficaria sem ação se Dona Lurdes aparecesse aqui, de cinta-liga e cabelos soltos, ah, eu ficaria. Totalmente.

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Hoje só o que ouço é um incessante escovar de dentes. Quem passaria a madrugada inteira escovando os dentes?
A Rita, moça formosa que toma anfetaminas e tem mania de limpeza, e mora aqui ao lado.

Esse prédio de paredes finas não foi idéia minha!

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Agora culpa. Como o gozo se assemelha ao choro!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O rádio


Entro no quarto e ele está lá. A pouca luz que passa pelas cortinas ilumina suas rugas, seus cabelos brancos e ralos, os anos em suas costas. Como devem pesar! É um homem pequeno, e a enorme carga curva seus ombros, tenta favorecer a gravidade e entregar-lhe ao solo frio. Mal ouço meus pensamentos, o barulho lá dentro é absurdo. Ele está sentado na cama, os olhos, que já foram azuis, fixados catatônicamente no rádio, ligado no volume máximo. Toca um velho bolero... Reloj, no marques las horas, porque voy a enloquecer... acho que é Lucho Gatica. Ele não percebe que estou aqui, não ouviu a porta abrindo e depois batendo, forte, por conta da corrente de ar horrível que se forma nesse apartamento vazio. Vivemos aqui só nós dois, eu e o preto velho. Não é ruim, mas me sinto extremamente solitário a maior parte do tempo. Principalmente quando ele faz isso, e o faz praticamente todos os dias. Senta na cama, liga o rádio no máximo e fica por lá horas, olhando, os olhos umidos por detrás dos óculos de aro fino. Alguém me disse uma vez, não me lembro por quê, que era coisa de maluco assistir ao rádio como se assiste a uma televisão, que sua audição não melhora só porque se está olhando diretamente para as caixas de som.
Mas meu avô é surdo, e sente uma saudade filha da puta de ouvir o rádio.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Viva Glauber!

- Vimos miséria, governadora.

- Miséria não, pobreza.

- Era miséria, governadora.

- Onde?

terça-feira, 15 de abril de 2008

Moura.

A integridade já não importa. A santidade já não importa. O orgasmo já não importa. O fim, no meio, já não importa. O que tu com ele ou eu com tu e ele pensamos, ah, já não importa. Só o que fazemos, faremos, e tomamos, e talvez, quem sabe, como nos matamos. Ah, é sugando a vida por entre tuas pernas que quero sair, fedendo a peixe, na avenida dos assassinos seriais. É apertando teus botões. Não tenho esse direito, mas é com a licença lisérgica que me veio a cara de dizer o que você, para mim, é.

É minha sede,
que me concede
meu acalento
A embriaguez que mais adianta

É minha culpa,
que me desculpa,
meu tormento
O maior grito, entalado na garganta

E canta
só dessa vez, levanta
a fronte que já não ostento
por medo do vento
que vem lá do centro
das terras de ti.

Já perto do fim,
por medo que o acaso
se mostrasse afim
de me fazer o descaso
de te irastes comigo
(Não fostes a mim)
Findado o amigo
aquel'outro perigo
se encerra assim:

Ah, dos três mal amados,

"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte"


Agora me calo
que já não entendo
que quero mostrar

Um poema vago
com o único intento
de incomodar

A paz que se, talvez, agora faça
em toda e qualquer rua, ou praça
que venhas a habitar

(Por essa arruaça culpe minha lira, devassa
que depois de uma ou outra taça, só de pirraça,
a razão me amordaça, só pra poder cantar.

E resta apenas a carcaça, o peito que não tiro da couraça
o coração, roído em traça, não se dá conta da trapaça
que é lhe jogar, na vidraça, tão horrendo bezoar.)

Me despeço com a vergonha
(de meus enganos ledos
e da inação de meus dedos)

E tens agora quem se disponha
a desejar-lhe, apenas
o frescor de arvoredos
e a alegria enfadonha
de ter no encalço um cantorero
que com sua voz tristonha
quer que se afunde o mundo inteiro
no embalo do pior erro
até que o miolo se recomponha.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Muda


Que se façam de minhas saídas entradas! Que me invada a vida deste mundo, que cansei de olhar pra baixo. De novo mudo, parede, ouvinte minha, de novo mudo. És testemunha de minhas solitárias paixões, do tempo dedicado à mim mesmo, não mais verás! Agora são tintas, pastosas(porra de cor que jorra da pica de Deus?), que me entretêm. Ai, parede, soubesses minha vontade de te esfregar toda, para que tu comigo mudasses, que perdesses tua cândida brancura, que fores la fora também, que me permitisses penetrar por tuas rachaduras como infiltrações de água e do chorume de todas as flores que choram pelo fim do verão. Que entrem, que é vida-cor, e cor-vida, com a tola alegria de quem não sabe o que quer !
(só quem não sabe pode passar por esses caminhos, todos, sem nada escolher)
Pois do momento que se passa a saber, a saída é só uma.

É bom inventar lembranças a dois. Coisas que não deviam ter acontecido nem em palavras. Coisas que você pede toda noite para que aconteçam.
Dá uma ótima sensação de controle, minha pequena fábrica de sonhos eróticos - Todos os modelos e tamanhos. De onde tira tanta vontade, que chega a me deixar prostrado
, nunca vou saber...Minto, e já cedo. Só pode vir de um lugar.
Ah, o jovem passado.

domingo, 2 de março de 2008

Vício

Um eco horroroso me ataca as entranhas. Desde aquela cena. Se acreditasse num deus qualquer, acho que lhe perguntaria agora "Mas por que sempre assim?"

Há ecos no silêncio?

Que coisa é a vida. brincamos infinitamente de esconde-esconde com o resto do universo, que parece se esconder atrás do véu dos pensamentos cotidianos. Mas, como na quântica, há uma enorme chance de não haver nada lá, duvida essa saldada sómente ao se espiar.
E então, que face vistes? da morte, da vida, do ciclo sem fim?
Não. Não quero me gabar, mas o que vistes, meus caros, foi algo tão horrendo e complexo, que tiveram de apagá-lo de suas memórias, só para reiniciar a busca.
Mas ah, por que me repito tanto?

Só queria dizer que não to legal. Parece que finalmente encontrei o limite pro lado de dentro do corpo, e sangramentos internos nao coagulam assim tão fácil. Pelo menos o dano foi progressivo, gradual, lento, não me arrancaram metade do fígado, dos intestinos, do estômago, um pulmão talvez. Eles se demitiram lentamente, e me deixaram com o exibicionista, o percucionista, o pentelho. Aquele que não me deixa dormir de noite.

Quem precisa dum cerebelo quando se tem todas as emoções de não se conseguir levantar direito da cama pelos motivos mais bestas?
Alias, disso que estou precisando. Banho de cama.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Reveillon

"O último dia do ano é algo estranho..." pensou Dado, sentando-se na areia branca, estranhando a multidão saltitante à sua volta. Branco. Não aguentava mais ver gente de branco. Nem sabia por quê ainda insistia em sair na noite do dia 31 de dezembro. Tudo lhe parecia repugnante, e o barulho feria seus sensíveis ouvidos. "afinal, é mais um ano perdido na corrida para o final. Por que comemorar?" pensou, estourando sua champanha vagabunda, tentando, melhor, lutando contra o ímpeto de fazer de sua rolha um projétil e arrancar o olho de alguém. Tomou um longo gole da bebida espumante. Doce demais pro seu gosto. Por que não estourar garrafas de uísque? A visão de um reveillon negro regado à uísque o reconfortou por alguns segundos, até que o segundo gole lavou embora seu ensaio de um sorriso. Na longa faixa de areia, era talvez a unica pessoa sentada e sozinha. Não que não tuvesse com quem estar, só que, normalmente, preferia estar só. "Mais um dia, mais um ano. Não fosse a folga nem reparava que era fim de ano. Merda. Uma semana de folga, onde já se viu..." Esperou. a contagem regressiva, os pulinhos culminando nos animados brados de "Feliz ano novo!" e a queima de fogos. Cinco minutos e ainda estouram no céu, com todas suas luzes, suas cores. Então, nem seus mal humorados olhos deixaram de perceber a beleza do espetáculo, As fagúlhas caíam como borboletas em chamas, douradas, azuis, vermelhas, tudo ao alcance aparente de suas mãos.
Estende o braço e, num rápido movimento, captura uma mariposa (sim, pois é noite! Como haveriam de ser borboletas?). A pele da palma derrete um pouco, o leve aroma acre e quase imperceptível de carne queimada. A dor quase não incomoda, é aguda, pulsante, mas nada demais. Abre a mão e vê que a mariposa não passa de um pedaço de algo indefinido, agora grudado à sua mão. Não é a dor que lhe incomoda, não é, mesmo. Mas uma pontadinha de decepção.
"Quase me enganam. Merda de ano novo." O terceiro gole o faz desistir.