terça-feira, 21 de julho de 2009

Garota:

Depois do susto, tudo que eu quero é poder ver essas linhas crescendo no seu rosto.
Suas mãos ficando secas e enrugadas.
Seu quadril crescendo.
Suas costas se curvando e seus joelhos ficando frágeis.
E, te digo, acho que vou adorar cada fio de cabelo branco na tua cabeça.

Só resta saber se, eu sobrevivendo, você vai me aguentar, vai me aturar, com as neuras multiplicadas, mais rabugento que nunca.
Espero que sim. É difícil prum velho subir numa árvore pra te ver trocando de roupa. Olhos míopes não servem para binóculos, e se já sou meio surdo agora, vai ser impossível tentar ouvir suas conversas a distância.
Então me mantenha por perto, minha nêga.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Como diria Manu Chao...

"Pará de bebê?
No páro.
Pará de fumá?
Também.
Amigo, páro?
No páro.
Só se me levam pá FUNABEM.

(...)

O día que voy morrír,
Eu quero em mía sepultura
trecientos llítros de cachaça
sem mistura!

Pará de bebê?
No páro.
Comê salgadiño?
É ruim.
Amigo, páro?
No páro.
Só se me levam pá FUNABEM."

Pobre diabo

Tenho um amigo que está sendo moldado. Mudado. Pobre diabo. Sendo açoitado por milhas e milhas de pedras, tendo que correr não sabe de quê, tendo que se cortar todo para se reinventar.
Seu algoz o quer, mas não como ele é agora. Seu algoz o persegue, noite adentro, em abdominais, sonhos, ataques epiléticos, batidas de portas e de outros atabaques.
Tenho um medo que está sendo moldado. Mudado. Pobre diabo. Sendo testado por dias e dias de sol e chuva, tendo que se adaptar a deus sabe o quê mais, tendo que se esfacelar todo para me reinventar.
Eu quero esse algoz, exatamente como ele é agora. Algoz que me persiga, noite adentro, entre suores, pudores, ataques epiléticos, batidas de portas e outros atabaques.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Para quem quiser

Dói crescer em cidade pequena cujo nome não serve nem para fazer poesia.
Dói não ter sofrido para ter sobre o que escrever.
Parece idiota, mas
Parece, na verdade,
Que espero a vida inteira pela tragédia que vai impulsionar o romance,
A escrita,
O relato exato duma vida que mereça ser lida.
Tenho ânsia de guerra; não me adapto ao cotidiano de escrever nada sobre o nada.
Escrevo com ânsia. De vômito.
Não precisamos de mais nada.
Não precisamos mais de nada.
Não precisamos de nada.
Guerra de dentro.