quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Casal #2

E nós dois ainda temos muito que resolver.
Só nós dois.





(Como escolher a cor das paredes do lar
que quero pintar
pra nós dois
só nós dois.)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Casal

Felipe e Aline são dois como se é;
Dá gosto ver como não querem mais nada dessa vida.






(mentira: jogar MarioKart melhor)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Poliglota confuso

No es estraño que te estrañes,
como no olvido el sonído
de tu voz en mis olvidos



(hay poesia en portuñol?)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Un Rato

Ela segurou minha mão,
no meio do caminho,
como se dissesse
que não queria;
Engano meu.
Queria,
mas não podia:
Pobre peito de pomba a ponto de arrebentar

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Meu Amargo Vômito


Ainda prefiro o gosto de bíle no fundo da garganta ciumenta que o mel, doce por demais, das relações que encontro nesse lugar. Pessoas não parecem pessoas, pessoas não são pessoas fora de suas casas. Não entendo, não entendo, por que? Aonde escondem seus rostos sorridentes quando saem às ruas? Por que a cera a recobrir a pele? Não entendo, não entendo. Por isso não nos visitamos no Rio de Janeiro (salvo belas excessões de amigos e amigas que, por acaso, nem são daqui mesmo). A casa, aqui, é o templo onde se despem de sua roupa de rua. De sua cara de rua. Lavam a poeira da rua e saem da casca, finalmente. E o ser humano nu é frágil, não queremos aparecer frágeis, não queremos que julguem nossos móveis ou nossas toalhas. São nossas. Quanto disso diz quem sou? Não sei. Sei que não gosto do plástico derretido na volta dos apertos de mão. Das discussões acerca da validade ou da lealdade dessa ou daquela amizade. VALIDADE OU LEALDADE DESSA OU DAQUELA AMIZADE! AMIZADE VERDADEIRA? Que enfiem no rabo. Quero seguir morrendo de ciúmes do passado, não pensar no presente e tentar viver o futuro da melhor forma possível. Estou me levantando cedo, dormindo tarde, comendo bem, amando melhor ainda. Não preciso mais do abraço frouxo e sem cheiro dessa cidade que adoro, mas que sabe ser tão mesquinha. Me perdi. Volto com outro assunto na linha abaixo:
Então. Que fazer com velhos amores de seus amores? Mesmo sabendo que esses velhos amores não se comparam aos atuais amores, como evitar que os dentes trinquem, que os punhos cerrem, que a cabeça ferva, que os pés tremam, que o fogo suba nas ventas e os olhos fiquem rubros de ódio. Estou levemente descontroaldo com relação a isso. Preciso só uma menção, a metade de um nome, para sair de controle, virar a mula-sem-cabeça, a queimar o mato no entorno. Imagens misturadas dela com ele, íntimos. Misturadas. Com sangue e pancadas. Porradas e tiros de canhão. Não posso apagar esse passado da vida de ninguém. Não tenho esse direito, esse poder, e, quando penso racionalmente, seria uma péssima idéia. Tudo é caminho percorrido, tudo é soma, tudo serve como engrenagem no encaixe de nossas trilhas. Mas porra, como ficar tranquilo quanto as engrenagens menores, sabendo que essas também são engrenagens?! Que sem elas o mecanismo não funcionaria, e, pior, saber que o sistema todo funcionava mesmo sem a peça que agora sou. É imaginar outras mãos que não as minhas. Outras bocas. Outras carícias. Ah, mente maldita, que peças me pregas, queres me matar, descontrolas meus dedos? Já não sou responsável por essas palavras, caro leitor, cara leitora, amor. Não sou. Mal sinto os dedos, tudo que sinto é fogo e ferve, como ferve, como cada vez mais afundo os dedos nesse maldito teclado que não me impede de continuar, como me impediria a caneta quebrada ou o papel rasgando, cedendo ante o ímpeto raivoso com que escrevo essas palavras de exorcismo e aversão, excretas dum trauma, Deus sabe daonde vindo. Merda, por que penso tanto nisso? Por que me importo tanto? Por não ter sido o primeiro professor? Não ter sido o primeiro em todo o resto, como foi ele? Que merda. Que merda. Sei que o mesmo se aplica a mim, mas diabos, nunca tive que lidar com essa sensação. Nunca mesmo. Tento me colocar numa outra posição, mas não funciona. Tenho apenas que me apegar no resto todo dos sentimentos bons, dos sentimentos que me põem na tua mão, e seguir, de olhos fechados e dentes cerrados, até que a raiva se estingua e me apazigue o cenho franzido. Se me odiasses tanto quanto te amo, ordenarias que me atirassem, amarrado e coberto de mel, às formigas e abelhas que me devorassem a pele pouco a pouco, para depois afogar meu ainda consciente corpo descarnado num poço de álcool. Se tu me amasses tanto quanto odeio essa situação, passaria o resto dos dias do meu lado, fugiria comigo descalça para só depois pagar a conta, deixaria que eu bebesse do teu sangue. Ai, merda, já direciono o texto, língua maldita que me lambe os dedos e guia o cego pensamento que nunca soube direito onde queria chegar.
Ao contrário do que se pode pensar, não quero atingir ninguém nem falar com ninguém. Falo com meus medos, numa tentativa de tirá-los de casa. De minha casa. Da casa do peito, da cabeça, para que triunfe, finalmente, a paz que deveria estar sentindo.

-

22 de setembro morreu Antônio Conselheiro. Perdeu canudos e a cabeça.
Matadeira não perdoa, mas não desejo esse destino a ninguém.