sábado, 20 de agosto de 2016

Černá

O que não nos mata,
nos deixa mais fortes.


Ainda assim
cá estamos:
vivos, mais quebrados.

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Penso se daqui há muito, muito tempo,
ainda vai ter um velho no topo daquele farol,
esperando o barco voltar;
(nunca parou pra pensar que, talvez, do outro lado, o barco também estivesse esperando; ou mais: o barco já não existia, não como se lembrava.)


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Poderiam reaprender a ler
a falar
a escrever
Poderiam fingir que cada palavra
nunca havia existido
e que o mundo
era todo
página em branco;
Que o tempo do dilúvio existiu
para que se reinventassem
as maneiras
de se ferir.

por mais que cada coisa fosse como nova
sempre evocavam
compridas sombras
sobre os ecos
do que um dia foram:

Ele escrevia poemas na beira da praia
Na esperança que um dia ela encontrasse
um verso que fizesse sentido:
cada onda desfazia
cada sinal cada pista

Como se o mar soubesse o que poderia
acontecer;
E só quisesse, de alguma forma,
nos proteger;


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Porque o mar, naquele dia, era vidro e se quebrou.

O amor.