terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cidade natal

Guerra de dentro;
Que dói,
crescer em cidade
cujo nome não rima com nada.

Pior é querer, e não poder:
Não responder suas mensagens
assim que elas chegam.
(não consigo não voltar correndo)

Guerra de dentro.
Sono de fora.

O mundo acontece lá fora.
E eu, espelho d'água, narciso de dentro
pra fora.

Macaé.

sábado, 24 de janeiro de 2015

London Londres

Your old walls bring me no comfort;
Your cold stones, no rapture.

Your high towers give no answer;
Your slender doors, no invitation.

I feel home and safe
Like anywhere else.
There's longing, but no urges.

Not a single urge to make me feel at home.
I do.
But not because of you.

Your old walls bring me no comfort;
Your cold stones, no rapture.

Your high towers give no answer;
Your slender doors, no invitation.

I fell, stranded and lost
Could be anywhere.
There's longing, but no urges.

Not a single urge to make me lost.
I do.
But not because of you.

Your old walls. Your cold stones.
Your high towers with slender doors.

They all invite me to leave.
I do.
And that's because of you.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Como lidar com ciúmes de maneira madura #1

Tem dias

Em que escrevo

(e isso é segredo)

Teu nome

E a cidade onde tu mora

Na barra de busca

do xvideos

E fico tentando reconhecer pedaços:

Aquele é o teu nariz;
Aquele outro, o par de óculos
Duas mechas dos cabelos;
Essa outra tem sua voz;
Essa, teus cacoetes.

Te monto aos poucos na pica dos outros
Bebendo o ciúme como sorvete

Ou, espere:
Esperma.
Passou.

sábado, 22 de março de 2014

Salobra

Enquanto era tudo, eles

 E tudo era assim:

 Eu correndo deles

 Tu fugindo de mim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Capa de jornal

Vida é impulso.
Elétrico.

Um pulso. Elétrico.
Não mais que esse tudo, o mundo,
confinado em minhas fiações.
Um curto. Não vejo. Um curto. Não digo. Um curto. Não ouço. Mal algum.
Bem algum nos salvará do curto.

Hoje, voltando pra casa, caminhando apressado na beira dum cenário vítreo, rico, lutava contra o frio e um cigarro que se impôs, não sei ao certo ainda se por pedido de meu corpo ou pela própria situação. É estranho estar tão frio em Novembro. Policiais revistam um casal que acabou de descer de sua moto, quando, dois passos, o canto de meus olhos avista. A massa disforme e embotada, húmida e peguenta, os pêlos, os dois bracinhos de garra se agitando mecânicamente entre uma cauda comprida que se agita, mecânicamente, movida aos últimos impulsos, elétricos, esmagados entre o asfalto e a próxima roda de um coletivo qualquer.
Não sei pra onde os ônibus vão. Muito menos praonde vai aquela coisa lá atropelada. Faço força para olhar pra frente e não mais imaginar aquelas patas, pêludas, de unhas, em espasmos se agarrando à parte de trás de meu joelho, tentando subir por dentro de minha blusa, os cliques e claques, o sangue quente, os arranhões, o chêro. Quê pode deter a morte penetrando pelas frestas do agasalho? Quem sabe se ali estivesse, estirado, um homem, pudesse eu fazer algo, chamar socorro, me compadecer mais que me enojar. Quase corro para não ver aquela pequena fagulha de eletricidade cessar sua corrente. Quem sabe quanto tempo ainda se moveu antes de suas baterias pifarem de vez? Em que tentava se agarrar, tão sôfregamente, avidamente, consciente-mente? O último choque, respirar mais um dedo na tomada? Ou em nada se agarrava, e seus pequenos braços dançavam no ar apenas ao som de um curto circuito?
Tento cantar um berro rouco. Corro. Chego em casa rindo.
Cada passo um pulso, um impulso elétrico.

E eu, sempre tão cético, hoje, quis em algo crer.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sigyn

O irmão que sente pingar, gota há gota, o venêno da serpente que lhe queima, sem querer, os olhos.
Eu sinto pingar, gota à gota, o véneno que tu destila em meus ouvidos, ensurdecêndo qüalquer tentativa de dormir sozinho.
Tu não sente nada. Tu descansa o sono dos justos, dos pérfeitos, dos imolados.
Tu deita em berço de seda e linho,
Tu deita no colo de meu peito,
Tu te embrenha,
Tu me dá ganas de cravar unhas em coxas de dias. De segurar cada Domingo pelos cabelos.
De morrer e viver cada dôr enfiado em teus travesseiros.

De me repetir, sem vergonha, a cada som de minha bôca.

domingo, 10 de julho de 2011

Várzea

Meu passe de armas àqueles que não conhecem o Diabo;

Que ferva o sangue de todo inocente, que do chão quente é que brotam os dragoeiros.