sábado, 22 de março de 2014

Salobra

Enquanto era tudo, eles

 E tudo era assim:

 Eu correndo deles

 Tu fugindo de mim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Capa de jornal

Vida é impulso.
Elétrico.

Um pulso. Elétrico.
Não mais que esse tudo, o mundo,
confinado em minhas fiações.
Um curto. Não vejo. Um curto. Não digo. Um curto. Não ouço. Mal algum.
Bem algum nos salvará do curto.

Hoje, voltando pra casa, caminhando apressado na beira dum cenário vítreo, rico, lutava contra o frio e um cigarro que se impôs, não sei ao certo ainda se por pedido de meu corpo ou pela própria situação. É estranho estar tão frio em Novembro. Policiais revistam um casal que acabou de descer de sua moto, quando, dois passos, o canto de meus olhos avista. A massa disforme e embotada, húmida e peguenta, os pêlos, os dois bracinhos de garra se agitando mecânicamente entre uma cauda comprida que se agita, mecânicamente, movida aos últimos impulsos, elétricos, esmagados entre o asfalto e a próxima roda de um coletivo qualquer.
Não sei pra onde os ônibus vão. Muito menos praonde vai aquela coisa lá atropelada. Faço força para olhar pra frente e não mais imaginar aquelas patas, pêludas, de unhas, em espasmos se agarrando à parte de trás de meu joelho, tentando subir por dentro de minha blusa, os cliques e claques, o sangue quente, os arranhões, o chêro. Quê pode deter a morte penetrando pelas frestas do agasalho? Quem sabe se ali estivesse, estirado, um homem, pudesse eu fazer algo, chamar socorro, me compadecer mais que me enojar. Quase corro para não ver aquela pequena fagulha de eletricidade cessar sua corrente. Quem sabe quanto tempo ainda se moveu antes de suas baterias pifarem de vez? Em que tentava se agarrar, tão sôfregamente, avidamente, consciente-mente? O último choque, respirar mais um dedo na tomada? Ou em nada se agarrava, e seus pequenos braços dançavam no ar apenas ao som de um curto circuito?
Tento cantar um berro rouco. Corro. Chego em casa rindo.
Cada passo um pulso, um impulso elétrico.

E eu, sempre tão cético, hoje, quis em algo crer.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sigyn

O irmão que sente pingar, gota há gota, o venêno da serpente que lhe queima, sem querer, os olhos.
Eu sinto pingar, gota à gota, o véneno que tu destila em meus ouvidos, ensurdecêndo qüalquer tentativa de dormir sozinho.
Tu não sente nada. Tu descansa o sono dos justos, dos pérfeitos, dos imolados.
Tu deita em berço de seda e linho,
Tu deita no colo de meu peito,
Tu te embrenha,
Tu me dá ganas de cravar unhas em coxas de dias. De segurar cada Domingo pelos cabelos.
De morrer e viver cada dôr enfiado em teus travesseiros.

De me repetir, sem vergonha, a cada som de minha bôca.

domingo, 10 de julho de 2011

Várzea

Meu passe de armas àqueles que não conhecem o Diabo;

Que ferva o sangue de todo inocente, que do chão quente é que brotam os dragoeiros.

sábado, 9 de abril de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Descoberta #5

Ela é a última coisa de que gosto nesse mundo;

domingo, 13 de fevereiro de 2011

It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind.