terça-feira, 15 de abril de 2008

Moura.

A integridade já não importa. A santidade já não importa. O orgasmo já não importa. O fim, no meio, já não importa. O que tu com ele ou eu com tu e ele pensamos, ah, já não importa. Só o que fazemos, faremos, e tomamos, e talvez, quem sabe, como nos matamos. Ah, é sugando a vida por entre tuas pernas que quero sair, fedendo a peixe, na avenida dos assassinos seriais. É apertando teus botões. Não tenho esse direito, mas é com a licença lisérgica que me veio a cara de dizer o que você, para mim, é.

É minha sede,
que me concede
meu acalento
A embriaguez que mais adianta

É minha culpa,
que me desculpa,
meu tormento
O maior grito, entalado na garganta

E canta
só dessa vez, levanta
a fronte que já não ostento
por medo do vento
que vem lá do centro
das terras de ti.

Já perto do fim,
por medo que o acaso
se mostrasse afim
de me fazer o descaso
de te irastes comigo
(Não fostes a mim)
Findado o amigo
aquel'outro perigo
se encerra assim:

Ah, dos três mal amados,

"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte"


Agora me calo
que já não entendo
que quero mostrar

Um poema vago
com o único intento
de incomodar

A paz que se, talvez, agora faça
em toda e qualquer rua, ou praça
que venhas a habitar

(Por essa arruaça culpe minha lira, devassa
que depois de uma ou outra taça, só de pirraça,
a razão me amordaça, só pra poder cantar.

E resta apenas a carcaça, o peito que não tiro da couraça
o coração, roído em traça, não se dá conta da trapaça
que é lhe jogar, na vidraça, tão horrendo bezoar.)

Me despeço com a vergonha
(de meus enganos ledos
e da inação de meus dedos)

E tens agora quem se disponha
a desejar-lhe, apenas
o frescor de arvoredos
e a alegria enfadonha
de ter no encalço um cantorero
que com sua voz tristonha
quer que se afunde o mundo inteiro
no embalo do pior erro
até que o miolo se recomponha.

2 comentários:

Dias disse...

pois assim se ganha mais dinheiro...



Orgasmo importa sim... sem orgasmo não há vida! pelo menos o masculino, mas mulher mal comida ngm merece tb...

Carol Jessula disse...

adorei.