quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A maior ressaca do ano

Na véspera de mais um dos dias melhores ainda remôo o que o velho mexicano me pôs na cuca. Suas palavras são como farpas de vidro doce, como o berro duma criatura que não tem boca para berrar. E as palavras é tudo que tem. Talvez não saiba, talvez seja ironia, talvez seja só a bebida, mas eu sou tolo de levar tudo isso comigo, a sério. Não parece, realmente não parece, mas a poesia bruta, o verso falado, aquele que não pode ser escrito por brotar apenas de gargantas malditas já maltratadas pela fumaça da madrugada, vem de quem menos esperamos. Ainda bem que já esperava, se não teria caído em prantos maiores com nossas confissões.
Realmente meu caro, isso é tudo que temos, então ou nos mudamos por inteiro, ou enfrentamos o diabo com um sorriso na cara. Eu sei que seus cabelos são de um perfume que mata o homem fraco, que a face bela do capeta nada mais é que a bruxa que roubou tua alma pelo coração, sua boceta dentada te mascando a vida. Eu sei. Mas não se entregue, não se perca nessa avalanche do "tudo que temos", mas também não lute contra a maré alta e as ondas revoltas. Levanta a cabeça, companheiro de brados encachaçados, que o lixo nada mais é que o troco que devolvemos ao mundo. Faça do lixo luxo, enfeite bem os entulhos, e os entregue com os olhos vivos. Nos entorpecemos enquanto a cuca anda a solta, então fique atento.

Um comentário:

Marcelo Sancho disse...

Maldito Zimmerman... Como tens coragem de me atormentar a essa hora da madrugada? Não provoca a Cuca.