domingo, 21 de janeiro de 2007

Sob a névoa

Era mais uma viagem em família. Montanhas, tal, casinha sem energia elétrica...Quatro horas enfurnado dentro do carro. A chuva caindo tamborilava no vidro do carro como uma cançao de ninar antiga (a mais antiga) para as pálpebras já pesadas pelo tédio. O cachorro latia, do colo de sua mae, de tempos em tempos para lembra-los de que estava lá. O mundo derretia num borrao veloz de verde e cinza.
Finalmente chegaram. A diferenca de pressao machucava seus ouvidos, mas nao tanto quanto a voz da mae dizendo "OBA! Um final de semana inteiro na natureza, sem energia elétrica, sem ninguém!" Ninguém ninguém ninguém, a palavra ecoava no fundo de sua cabeca, ninguém...
Já era noite. Os pais acenderam velas, um fogo crepitava na lareira, os cantos escuros, o vinho, o cachorro correndo do lado de fora da casinha, o cheiro de mato. "Boa noite..." Disse, desanimado, subindo as escadas. Os progenitores se entreolharam. "Boa noite! Nao quer um pouco de vinho?" "Nao, nao tenho dezoito. Boa noite..." respondeu sem olhar para tras. O andar de cima estava frio e completamente escuro, logo, tateou até o que seria seu quarto, se despiu de todas as roupas e se enfiou, nu como um verme, sob as pesadas cobertas que fediam levemente a mofo. Dormiu como ha muito tempo nao dormia...
Acordou cedo, cedo demais, os pais dormiam ainda. Sabia pelo ronco de ambos vindo do quarto vizinho. Desceu as escadas, ainda nu, procurando por algo pra comer. O sol fraco da manha mal iluminava o interior da casinha, mas foi o bastante para achar uma maça, um bocado de pao e leite numa cesta sob a pia. Enquanto mastigava alternadamente pao maça e molhava tudo com leite, a janela da sala tremeu.
Mas tremeu. O rapaz correu e teve tempo de ver, detras de uma cortina finíssima, a causa do barulho todo.

Uma Cabeça de cavalo enorme bufava. Cada respiraçao do animal liberava, atravez de narinas que mais pareciam segundas (e terceiras) janelas, uma névoa densa, um vapor, como fosse o pesado equino uma locomotiva antiga, antiquada e veloz, com a diferença de estar parado.
O menino pensou "Eu odiaria ve-lo correndo."


***

Agora eu tenho que ir. Depois eu termino o conticulo...É meio bobo, mas os outros ainda tao em fase de embromacao.

2 comentários:

Felipe Dib Boufflers disse...

eu aj tinha esquecido de como vc escrevi coisa boa =P
hahahahaha

continue assim!

Leonardo Petersen Lamha disse...

bora diego, termina isso logo!!