sábado, 28 de novembro de 2009

Mofo.

Adoro o cheiro de mofo que tem meu quarto na casa dos meus pais. Apesar da minha alergia severa (que faz com que o tempo todo que eu passe aqui, eu passe espirrando e tossindo feito um pobde diabo que cheirou pimenta do reino), é um cheiro reconfortante, quase uterino. A cama já foi melhor, mas o lençol, intocado a semanas, me aconchega como o colo de minha nêga. Poderia passar dias dormindo aqui, sem interrupções nem remorços. O silêncio de subúrbio do interior pesa em meus ouvidos, é como ouvir uma lingua que você domina, compreende fluentemente, mas não escuta há anos. Deve fazer uma semana ou outra que não ouço o silêncio, mas pombas, ele me faz uma falta tremenda lá em casa! Pra que fizeram das cidades grandes enormes maracas a pipocar estridências sem parar? Aqui ouço cada grilo no quintal, cada sapo no terreno, cada moto na distância.
Mas sim, estava falado do cheiro de mofo.
Não é como se isso significasse que perdi meu espaço no lar, que ninguém mais cuida ou limpa (d)esse canto da casa. Não é nem um pouco isso. Tudo bem que não veja mais minha presença nas paredes (se é que, nesse quarto, já houve isso um dia. No outro, que dividia com os irmãos, talvez). Tanto faz. O fedor,na verdade, vem das lembranças em papel, trancadas no amplo armário de madeira nobre e escura, me lembrando dum passado bom, que me serviu de escada ou ladeira para chegar onde estou. Vejo no rastro desse mau cheiro uma pontinha do teu perfume.

2 comentários:

Jey Cassidy disse...

"Vejo, no rastro dessa mau cheiro, uma pontinha do teu perfume" q lindo isso!!=)
é o mesmo quando eu visito meus pais...haha..mas láo cheiro é de madeira;)
é o nosso acalanto,sempre será...=P

Anônimo disse...

é um mofo que nem m chuvas e abafados cheira igua fora de lá =}