Adoro o cheiro de mofo que tem meu quarto na casa dos meus pais. Apesar da minha alergia severa (que faz com que o tempo todo que eu passe aqui, eu passe espirrando e tossindo feito um pobde diabo que cheirou pimenta do reino), é um cheiro reconfortante, quase uterino. A cama já foi melhor, mas o lençol, intocado a semanas, me aconchega como o colo de minha nêga. Poderia passar dias dormindo aqui, sem interrupções nem remorços. O silêncio de subúrbio do interior pesa em meus ouvidos, é como ouvir uma lingua que você domina, compreende fluentemente, mas não escuta há anos. Deve fazer uma semana ou outra que não ouço o silêncio, mas pombas, ele me faz uma falta tremenda lá em casa! Pra que fizeram das cidades grandes enormes maracas a pipocar estridências sem parar? Aqui ouço cada grilo no quintal, cada sapo no terreno, cada moto na distância.
Mas sim, estava falado do cheiro de mofo.
Não é como se isso significasse que perdi meu espaço no lar, que ninguém mais cuida ou limpa (d)esse canto da casa. Não é nem um pouco isso. Tudo bem que não veja mais minha presença nas paredes (se é que, nesse quarto, já houve isso um dia. No outro, que dividia com os irmãos, talvez). Tanto faz. O fedor,na verdade, vem das lembranças em papel, trancadas no amplo armário de madeira nobre e escura, me lembrando dum passado bom, que me serviu de escada ou ladeira para chegar onde estou. Vejo no rastro desse mau cheiro uma pontinha do teu perfume.
sábado, 28 de novembro de 2009
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2 comentários:
"Vejo, no rastro dessa mau cheiro, uma pontinha do teu perfume" q lindo isso!!=)
é o mesmo quando eu visito meus pais...haha..mas láo cheiro é de madeira;)
é o nosso acalanto,sempre será...=P
é um mofo que nem m chuvas e abafados cheira igua fora de lá =}
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