terça-feira, 24 de julho de 2018

Ultimo

E estamos de volta
Ao começo

Aonde olho
todo dia
Por alguma fresta
De janela
E me pergunto:
"De quem será essa vida
Que estou vivendo eu?
E como será
A vida
De quem está
Vivendo
A
Minha?"


Já não tenho o intuito
De incomodar

Só quero que saiba que foi tudo verdade
Que a verdade
Segue verdade
Do início até o final do tempo

Que é verdade o que fui
E tudo que fiz. Que eu sei o que fiz.
Os crimes que cometi.

Não podendo pedir perdão vivo em febre,
Esperando o dia
Que a febre passe.

Não podendo viver, vivo.
Esperando o dia.

Tá tudo bem.

E quero, de verdade,
Que existam todas as cores
Todos os dias de todas as cores
Pros seus olhos olharem;
Que seja, também, pra sempre,
Pois tenho que acreditar que existam outros "pra sempre"
Pra que um dia eu encontre outro
Pra que você se aninhe no seu
Pra que haja paz;

Mas nunca mais eu vi
Quem chorasse
Por quem morreu
há mil anos.

Vivo
Esperando o dia
Em que daqui há mil anos
Alguém chore por mim.
Ente os dedos secos
Uma semente -
E alguém há de chorar
Pelos meus ossos.
Pelos meus ossos.
Pelos ossos de meu cavalo.



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