Descobri que um amigo
Que eu não via ha muito tempo
Nem era tão íntimo assim
Mas admirava tremendamente
Morreu.
Me devastou um bocado. Os dias andam estranhos, momentos bons e ruins, mas isso tirou meu chão e me deixou sentindo pequeno. Minúsculo. Mais impotente que nunca.
Falei dele outro dia, ele abraçava as meninas que queriam ficar com ele apertado e falava “vamo deixar quietinho”. E ele não era quietinho. Tinha tanta vida ali, um dia eu perguntei pra ele, numa festa, se ele queria um MD. Ele falou “pra que? Vou viajar na minha própria onda, quer ver? Isso sou eu com bala!” E dançou por três horas.
Ele era matemático. Um genio diziam. Lindo. Era impossível encontrá-lo e não sorrir de imediato.
Meu coração apertou.
Parece que o processo de despedida foi longo e belo, cercado da vida que ele tanto expunha pelos poros.
Tem gente que parece que vem pra esse mundo nos mostrar a brisa rápida que a própria vida é.
Nas suas palavras: “Não é noite, não é dia; não é o díluculo, não é o crepúsculo; é a hora da angústia, é a luz da incerteza (...) são assim os homens; as águas que passam, os ventos que rugem não são assim outra coisa.”
Amemos. Amemos logo, amemos de verdade, como João pareceu amar cada momento seu na terra. Sei que teve suas dores, seus amores, suas decepções. E sei que saiu daqui com a certeza de uma missão cumprida.
Se até eu, que não o via sempre, fiquei impactado com sua ida, é porque sua luz era forte demais, e tinha uma missão.
A minha, venho descobrindo, é viver o amor em suas plenitudes. Amemos, amemos logo.
A vida é uma brisa. Dolorosa, linda, cheia de encontros.
Uma brisa.
Amemos.
terça-feira, 3 de março de 2020
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