Tem marcas profundas
A terra se abre
São marcas de batalhas antigas
As fendas no chão
Fendas antigas
Tiram o equilibrio
Dos gladiadores que agora se fitam.
Estão cansados.
Sabem dos motivos por que lutam.
Mas já não se lembram mais.
Pode um assassino,
Que mata pra não morrer
Perdoar o outro
Na mesma medida
Em que perdoa a si mesmo?
A trégua parece durar uma eternidade. Somente seus corpos sobraram de pé sob o sol.
Sozinhos. Tentando tomar uma decisão.
As fendas são profundas.
Os ferimentos também.
Como achar perdão
Em meio ao sangue que verte?
O abraço último pode ser uma artimanha, um punhal sorrateiro
Os dois hesitam.
Fitam tristemente os ferimentos infligidos um ao outro.
Um leva no alforje bandagens limpas e água fresca.
O outro, azeite e unguentos.
Eles podem saber disso.
Sabem?
Você limparia um ferimento que você proprio infligiu?
Um deles balbucia.
“Perdão.”
O outro sangra.
O sol brilha.
As fendas são profundas.
Um dia, há de correr aqui um rio,
Mas hoje não.
terça-feira, 17 de março de 2020
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