sábado, 4 de abril de 2020

Mas eu entendo

Pra sair do buraco

Tenho que ficar pensando merda sobre o relacionamento

Tenho que lembrar que desde o começo rolava controle

Que desde o começo o caminho era o de passar por cima dos meus tempos

E da minha privacidade

Que aos poucos fui ficando tão magoado de fingir que não sabia

Ou que não me sentia controlado

Que fui adoecendo

Que não me sentia eu mesmo na presença de outros

Ou a vontade pra falar o que pensava

Alguém que mostrava o trabalho, orgulhoso, e sentia que a outra cagava

Por ter que pisar em ovos

Ou me sentia abusado

E invadido e violado

Alguém que não merecia confiança

Mesmo sem ter feito nada

E tudo isso são meias verdades.

Eu sei que são, ninguém sabe aonde a cobra morde o rabo.

E eu prefiro lembrar de outras coisas.

Prefiro lembrar de você me abraçando quando eu tinha medo e me sentia arrependido

Prefiro lembrar da sua dancinha sentada na cadeira quando ficava orgulhosa de me mostrar algo

Prefiro lembrar do jeito besta como você sempre avisava os taxis pra parar em cima da hora

Prefiro lembrar de como meu braço ficava dormente com você cochilando nele, e eu não queria te acordar

Prefiro lembrar de tanta coisa

Que afogo a dor

Também na certeza

De ser grato de pelo menos

Ter ouvido um “eu te amo”

Da sua boca tantas vezes -

E tantas vezes

Isso ter sido verdade

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