Não sei quantos de vocês repararam no quanto tem chovido lá fora (tem alguém aí?). É assustador. Eu, em vinte anos de vida, nunca tinha visto tanta água junta, logo, até com as pessoas com quem tenho alguma coisa pra conversar, acabei puxando o bom e velho "nossa, e o tempo, hein?". Procuro uma resposta, uma explicação além da "É o aquecimento global; o fim do mundo". O que eu não fiz? Olha, eu já não dirijo, nem carta não tenho; separo meu lixo direitinho sempre que posso; tento não jogar bitucas nos bueiros ou em outros lugares aonde elas vão, com certeza, atrapalhar; Juro que penso no desperdício d'água, e se um dia virar vegetariano, é apenas por causa da massa verde destruída contínuamente para dar lugar aos pastos, o pisoteamento do solo, o uso indevido de grãos, etc, etc, bla bla bla; abre parênteses: não, não sinto pena dos animaizinhos. Fecha parênteses. Não, espera. É, não sinto pena dos animaizinhos, sinto pena é da gente, que não somos mais bichos há muito tempo. Pronto, agora fecha.
Então vem aquela pergunta: Que diabos eu vou fazer em caso dum fim-do-mundo?
( Não propriamente o fim, ao pé da letra; mas uma tragédiona, daquelas com bastante neve e metade da população se afogando )
Sempre vão precisar de médicos, sempre. Engenheiros, lá vai. Atores podem servir para distrair as crianças enquanto fugimos todos para a cápsula que nos enviará para Marte, agora um lugar belo e amigável (sim, acredito que talvez dê tempo de traçar nossa rota de fuga por lá; se o fim vier antes disso, me desculpem).
Os últimos da fila, com certeza, seríamos nós: Jornalistas, cineastas, poetas, pintores. Os últimos. Salvariam , quem sabe, o Galeano; o Mainardi ou o Salinger (pro caso de faltar lenha no meio do caminho); e se tiver muito espaço sobrando mesmo, eu sugeriria a Clarah Averbuck, por motivos óbvios de repovoamento galáctico.
Mas nós, pobres blogueiros, estariamos fadados à terríveis privações, mutações, e os que sobrevivessem teriam de aprender a escrever debaixo dágua. A parte boa seria que muitos conseguiriam, finalmente, levar alguém pra cama. "Olha, eu sou QUASE o último homem na face da terra."
Não adiantaria. Não chegariamos à terceira geração de terráqueos. Morreriamos todos, nós e nossos netos, de fome e abstinência, quando o macarrão e os cigarros acabassem.
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Na verdade queria só pensar se ainda érealmente necessário o trabalho de denúncia de seus tempos, da parte dos poetas. Como Gregório de Matos ou sei lá mais quem me foge à memória agora.
Opa, isso não é o ventilador. Melhor ir dormir.
domingo, 25 de janeiro de 2009
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