quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Retomada.

Acordei hoje não sendo mais eu; mas tu.
Me empregnaste com tudo, desde teu cheiro
às idéias, ao tato, ao que ouço,
como vivo;
ou como não vivo mais.

Nem sei quem é,
quem que me bateu agora por detrás dos olhos e disse:
"Pronto, criatura, acordas outro."
E agora tenho que correr, pois acabei de nascer.

E não fica bem nascer aos 20.

Ninguém cuida de infantes barbados.
nem que estes cheguem à coroa,
que hoje, se bem lembro, não vale mais nada.

-

Na verdade, só queria dizer que, outro dia desses, acordei contigo na cama.
Não essa você que está aí, sendo feliz de outro jeito,
que não o meu jeito;
Acordei com a você de dentro,
Acordei sendo tu;
Acordei sentindo o que tu nunca sentiu por mim,
mas que no fundo sabia;
E tu me tinhas de tal jeito, que não soube mais sair da cama se não fosse pra te ver,
nem que fosse no espelho.

Mas lá chegando já não estavas.
Só meu velho rosto.
Minha tosse.

Pasta, sabão e água,
que trazem a gente de volta pro chão.
Agora dou todas as minhas economias pra não esbarrar contigo na rua hoje.
Nem nunca. Não enquanto for assim.

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