Mas é isso.
É.
É, caro amigo. Fico soterrado
Debaixo de tantas ânsias trêmulas
E ansiedades extremas
Tão imbecilmente preocupado
Com tudo que pode dar errado
Que prefiro seguir nas estradas mesmas
A me aventurar pelo descampado
Desconhecido campo estrelado
Que os olhos dela desenham no chão.
Me ensine, então, a adorar!
Se na sujeira de meus lençóis
Esqueci vazio o altar,
Me mostre como então voltar
Ao calor daqueles dois sóis
qu'ela insiste na cara levar,
Aqueles que só eu posso olhar
Quando estamos a sós
Sem ter o risco de me cegar
Por me serem frios, focinho de cão.
Me obrigas a usar a palavra errada
A rima marcada
A frase forçada,
Quase vioentada
Nessa toada
De repente e de nada
Como é nada, agora
Minha vida passada
Ou assim espero que seja
Ou assim espero que me veja
Pra não entrar nessa peleja
Com lanças quebradas de outros carnavais.
E digo mais:
Amanhã passaremos, talvez, por seus quintais
Que, apesar de serem apenas um,
De tão vazios me parecem tantos mais a mais.
...
Perdi o fio da conversa.
Talvez, a próxima pergunta era:
O que te faz tão diferente de mim,
Quando temos os nervos tão afim,
Que te faz ver além do vulgar,
Que não consigo largar?
...
Termino agora, que a noite é alta.
Concordarias comigo que um copo,
nessas horas,
faz falta
Pra dormir mais depressa,
Pra acordar, talvez, noutra vida,
E não nessa.
(Sendo eu, eu mesmo, mas sem tantos alfinetes
do lado de dentro da cabeça)
quarta-feira, 3 de junho de 2009
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