Hoje chorei com Chavela Vargas. Como era bela, e continua bela, Chavela Vargas. Que voz, que rosto, que vida. Quando canta, Chavela parece querer cospir em nossa alma todas as mazelas pelas quais passou na vida. A dor arrepia, emociona, e parece acompanhar o corpo e o canto desta mulher maravilhosa. Que deve ter sido o amor de Frida Kahlo? Que deve ser o amor de Almodovar? Para Chavela, nada, pois Chavela é só. E só Chavela sabe cantar solidão como se deve. Também, aos quase 90, tem muita. Parceira apenas do alcool, do violão e de sua voz, a velha não entende, até hoje, como vivem juntos os enamorados. Para ela, é uma farça, pois tudo a convivência destrói. Que bom que esteve sozinha esses anos, então, pois não lhe destruíram a vontade que ainda mostra ao cantar. Nem a pólio, nem a cegueira lhe tiraram nada disso. Homem nenhum o faria. Ou mulher. Quantas bocas, sujas de batom, teria beijado Chavela Vargas? Para quantas teria apontado sua arma, suas botas de macho, sua voz, seu coração...bom, este se mateve no lugar toda vida, pois, como diz a velha ranchera, “Yo amo con el hígado, el corazón no tiene nada que ver con eso”.
Mas mesmo assim, La Llorona me dói, bem no fundo do peito.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário